O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (9) que está “sempre aberto” ao diálogo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e que aguarda o tempo que ela considerar necessário para retornar às atividades da campanha eleitoral.
A declaração foi dada no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após semanas de tensão pública entre os dois, em uma crise que expôs divergências dentro da família Bolsonaro e do Partido Liberal (PL).
Flávio estava nos Estados Unidos, onde participou de uma audiência pública sobre o novo tarifaço anunciado pelo governo norte-americano. Durante o evento, o senador fez um discurso de cinco minutos.
“Eu estou sempre aberto aqui a conversar, né? Sempre esperando o tempo que ela [Michelle] achar que é o suficiente para ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, afirmou.

Na sequência, o senador reforçou o discurso de união da oposição ao governo federal.
“Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e no final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo”, declarou.
Valdemar Costa Neto defende acordo antes de convenção do PL
A fala de Flávio ocorreu um dia após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que Michelle e o senador ainda não haviam retomado o contato desde o início da troca pública de acusações.
Valdemar defendeu uma reconciliação entre os dois antes da convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho.
“Não podemos sair brigando dentro de casa”, afirmou o dirigente, destacando que o impasse precisa ser resolvido para que o partido defina sua estratégia eleitoral.
Entenda a crise entre Flávio e Michelle
O conflito entre os dois veio a público no fim de junho, quando Michelle Bolsonaro publicou vídeos nas redes sociais afirmando que teria sido “maltratada”, “humilhada” e desrespeitada por Flávio durante uma discussão sobre articulações políticas do PL no Ceará.
A ex-primeira-dama afirmou que os dois não se falavam desde o fim de 2025 e disse ter entendido que seu apoio à pré-candidatura do senador não era desejado.
“Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”, declarou Michelle na ocasião.
Após a repercussão, Flávio pediu desculpas publicamente e afirmou estar de “coração aberto” para conversar com a ex-primeira-dama. O senador disse que não teve intenção de ofendê-la e reconheceu a importância dela dentro do partido.
Mesmo depois do pedido de desculpas, Michelle fez novas críticas indiretas ao senador nas semanas seguintes e deixou a presidência do PL Mulher durante o período de crise.
Flávio fala sobre tarifaço dos EUA
Durante a entrevista, o senador também comentou sua viagem aos Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo Flávio, ele participou de uma audiência pública para defender o cancelamento da medida e apresentou argumentos técnicos e políticos contra a cobrança.
“Eu fui pedir o cancelamento desse processo de tarifação no Brasil pelas razões técnicas e também pelas razões políticas que eu expus lá pessoalmente na defesa oral”, afirmou.
O senador disse ainda que tratou do assunto anteriormente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
“Eu pessoalmente pedindo para que não houvesse a tarifação sobre empresas brasileiras. Não há necessidade nenhuma de impor mais essa sobretarifa de 25%, vai ser ruim para as empresas brasileiras e também vai ser muito ruim para os consumidores americanos”, declarou.
Flávio também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou não ter visto representantes do Executivo brasileiro atuando contra a medida.
“Não vi nenhum representante sequer do governo brasileiro para defender o Brasil e os interesses da nossa nação brasileira”, disse.
O governo federal informou que não enviou representantes para falar pelo Executivo nas audiências, mas encaminhou observadores.
Senador defende manutenção do Pix
Questionado sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos que incluiu críticas ao Pix, Flávio Bolsonaro afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos deve ser mantido.
“O Pix é bom para o Brasil e, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos. Então essa parte do Pix, especificamente, eu acho que não tem nenhuma dúvida de que tem que permanecer como está porque é patrimônio do povo brasileiro e eu fui lá defender com unhas e dentes”, afirmou.
A discussão sobre o Pix ganhou força após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL), que sugeriu que o tema poderia fazer parte das negociações entre Brasil e Estados Unidos. O deputado citou o Zelle, sistema privado de pagamentos norte-americano, como uma espécie de “Pix americano”.
A declaração recebeu críticas de parlamentares governistas, que acusaram Eduardo de defender o uso do sistema brasileiro como moeda de troca em negociações envolvendo tarifas comerciais.
O Pix foi citado em documentos do governo dos Estados Unidos relacionados a disputas comerciais. Autoridades norte-americanas afirmam que o modelo brasileiro, por ser operado pelo Banco Central, poderia prejudicar empresas privadas concorrentes. O governo brasileiro e entidades do setor financeiro contestam essa avaliação.
Fonte: G1



