Os preços dos alimentos apresentaram queda em junho, mas diversos produtos ainda acumulam fortes altas no primeiro semestre de 2026. É o que mostram os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação oficial do país avançou 0,16% em junho. Entre os grupos pesquisados, Habitação registrou a maior alta e foi o principal responsável por pressionar o índice geral. Em contrapartida, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, exercendo o maior impacto negativo sobre a inflação do mês.
Os alimentos consumidos no domicílio ficaram 0,39% mais baratos em junho, revertendo a alta de 1,65% registrada em maio. O resultado foi influenciado, principalmente, pelas quedas nos preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). Por outro lado, o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%) apresentaram os maiores aumentos no período.
Já a alimentação fora de casa subiu 0,15% em junho, desacelerando em relação ao avanço de 0,49% observado em maio.

Os alimentos que mais encareceram no 1º semestre
Entre janeiro e junho, o pepino liderou a lista de maiores altas, com valorização de 155,47%. Na sequência aparecem cenoura (103,14%), tomate (82,41%) e batata-inglesa (82,11%).
Confira os produtos que mais subiram:
- Pepino: 155,47%
- Cenoura: 103,14%
- Tomate: 82,41%
- Batata-inglesa: 82,11%
- Morango: 60,97%
- Cebola: 53,34%
- Feijão-carioca (rajado): 52,82%
- Repolho: 29,79%
- Açaí (emulsão): 27,64%
- Abobrinha: 23,46%
- Feijão-preto: 22,62%
- Leite longa vida: 22,08%
- Couve-flor: 21,96%
- Brócolis: 19,72%
- Feijão-mulatinho: 19,22%
- Manga: 19,17%
- Couve: 17,73%
- Batata-doce: 15,92%
- Peito bovino: 13,02%
Alimentos que ficaram mais baratos
Na outra ponta, o abacate apresentou a maior queda de preço no semestre, com recuo de 41,3%, seguido pelas variedades de laranja.
Veja os produtos que mais baratearam:
- Abacate: -41,3%
- Laranja-baía: -32,81%
- Laranja-lima: -23,36%
- Banana-maçã: -18,9%
- Maracujá: -12,93%
- Café moído: -11,49%
- Maçã: -11,03%
- Açúcar refinado: -10,78%
- Limão: -9,45%
- Óleo de soja: -9,25%
- Banana-d’água: -8,31%
- Açúcar demerara: -8,23%
- Açúcar cristal: -7,77%
- Laranja-pera: -7,03%
- Azeite de oliva: -6,67%
- Carne de porco: -5,64%
- Farinha de trigo: -4,77%
- Pimentão: -4,73%
- Café solúvel: -4,34%
- Frango em pedaços: -4%
Por que as hortaliças ficaram mais caras?
Segundo as informações apresentadas, fatores climáticos e a redução da produção durante períodos importantes da safra explicam boa parte da alta das hortaliças.
O pepino teve sua produtividade afetada pelo calor intenso nas principais regiões produtoras, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, conforme relatório do índice Ceagesp publicado em maio. As altas temperaturas reduziram o volume colhido.
No caso da cenoura, o excesso de chuvas comprometeu a qualidade das raízes, provocando deformações e doenças que diminuíram a quantidade de produtos aptos para comercialização.
Já o tomate sofreu os efeitos da queda das temperaturas e do aumento da umidade, que atrasaram a maturação dos frutos e favoreceram a proliferação de fungos e bactérias nas lavouras, reduzindo a oferta no mercado e elevando os preços.
Habitação lidera alta da inflação em junho
Depois da alimentação, o grupo Habitação foi o principal destaque do IPCA de junho, com alta de 0,63%. Apesar de desacelerar em relação aos 1,11% registrados em maio, o grupo continuou exercendo a maior pressão sobre a inflação.
A energia elétrica residencial permaneceu como o item de maior impacto, mesmo com a desaceleração da alta de 3,67% para 1,53%. Segundo o IBGE, o aumento foi influenciado pela manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O grupo Despesas Pessoais avançou 0,25%, impulsionado pelos reajustes nos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%).
Em Saúde e Cuidados Pessoais, a alta foi de 0,23%, com destaque para os artigos de higiene pessoal, especialmente os perfumes, que subiram 1,12%. Os planos de saúde também ficaram mais caros, refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em vigor desde maio.
Confira a variação dos grupos pesquisados pelo IPCA em junho:
- Alimentação e bebidas: -0,24%;
- Habitação: 0,63%;
- Artigos de residência: 0,23%;
- Vestuário: 0,17%;
- Transportes: 0,17%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
- Despesas pessoais: 0,25%;
- Educação: -0,02%;
- Comunicação: 0,19%.
Fonte: G1



