Bahamas Hotel Club fecha as portas após morte de Oscar Maroni e mudança no comando

O Bahamas Hotel Club, tradicional e polêmico estabelecimento localizado em Moema, na Zona Sul de São Paulo, encerrou novamente suas atividades cerca de sete meses após os herdeiros do empresário Oscar Maroni anunciarem um projeto de reformulação da marca. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da empresa.

Maroni morreu em 31 de dezembro de 2025, aos 74 anos, após enfrentar uma série de complicações médicas, incluindo um câncer com metástase. Após sua morte, a administração da casa passou para os filhos, que haviam anunciado um plano de modernização do empreendimento.

Fundado há mais de 30 anos, o Bahamas Hotel Club ficou conhecido por funcionar como uma boate frequentada por garotas de programa, reunindo bar, salão de festas e 22 suítes privativas nos andares superiores.

Embora a prostituição não seja crime no Brasil, a exploração da atividade é tipificada como rufianismo, com pena que pode chegar a quatro anos de prisão, além de multa.

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Para evitar problemas legais, o modelo de funcionamento da casa previa que clientes e profissionais do sexo pagassem a entrada separadamente e negociassem os serviços sem a intermediação de funcionários. Ainda assim, o formato foi alvo de investigações e não convenceu as autoridades em diferentes momentos.

Histórico de investigações e processos

Em 2007, Oscar Maroni foi preso e permaneceu detido por 50 dias. Na época, declarou em entrevista a uma emissora de televisão que o Bahamas era “sim, uma casa de prostituição de luxo, sim. Não vamos ser hipócritas, não vamos ser falsos”.

Após a entrevista, a Prefeitura de São Paulo, então comandada por Gilberto Kassab, lacrou o estabelecimento. Três dias depois da declaração, Maroni foi preso pela Polícia Civil sob acusações de exploração da prostituição, formação de quadrilha e tráfico nacional de pessoas.

Em 2011, o empresário conseguiu reverter sua condenação na Justiça. O Bahamas permaneceu fechado até ser reaberto em 2013.

Na mesma época, Maroni também construía, ao lado da boate, o Oscar’s Hotel, empreendimento com 223 suítes que se tornou seu principal projeto empresarial.

A obra, entretanto, foi embargada desde 2007 por causa da proximidade com o Aeroporto de Congonhas. As aeronaves passam a cerca de 30 metros do ponto mais alto da torre, situação que motivou ações do Ministério Público e da Prefeitura de São Paulo.

Embora a família tenha conseguido evitar judicialmente a demolição do edifício, o hotel nunca entrou em funcionamento e permanece abandonado.

Tentativa de carreira política

Em 2018, Oscar Maroni disputou uma vaga de deputado federal pelo Pros, utilizando o número 90 e o final “69” em sua campanha.

Com patrimônio declarado de R$ 13 milhões, investiu aproximadamente R$ 2 milhões na candidatura, mas obteve cerca de 9 mil votos e não foi eleito.

Durante a campanha, defendeu pautas ligadas ao agronegócio. Em outro episódio, teve uma fazenda da família, localizada no interior de São Paulo, ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Doença e sucessão familiar

Maroni iniciou tratamento contra um câncer de próstata em 2022. Em novembro de 2025, foi diagnosticado com metástase, quadro que levou à sua morte no último dia daquele ano.

Além do câncer, ele também enfrentava Demência Frontotemporal (DFT), doença degenerativa que afeta os lobos frontais do cérebro, provocando confusão, perda de memória e alterações de comportamento.

Em entrevista concedida à GQ Brasil em janeiro, o filho Aratã Maroni, de 38 anos, contou que o pai ainda reconhecia os familiares, mas frequentemente confundia seus nomes.

“Ele sabia quem a gente era, mas se confundia. Me chamava de Eros, que é o nome do meu tio, mas sabia que estava falando comigo”, relatou.

Com o agravamento da doença, Oscar Maroni passou a viver na fazenda da família, em Araçatuba, onde são cultivados soja, cana-de-açúcar e milho.

Herdeiros planejavam reformular a marca

Após assumir a administração do Bahamas Hotel Club, os filhos anunciaram um projeto de rebranding para renovar a imagem da casa.

O plano previa uma linha de hambúrgueres com nomes sugestivos, como “Noite Picante” e “Ménage à trois”, além da reforma da balada localizada no subsolo do estabelecimento.

Aratã Maroni também afirmou que pretendia ampliar a marca para o segmento de lifestyle, com a venda de produtos personalizados inspirados na identidade visual da casa.

“Eu não vendo sexo. Quem vende isso é ela [a prostituta]. Eu ganho na entrada, na suíte e no bar”, declarou.

Segundo ele, a inspiração vinha de Hugh Hefner, fundador da revista Playboy. A proposta era manter a associação da marca com a sexualidade, mas ampliar sua atuação para a venda de souvenirs.

“Minha ideia é que o marido possa comprar uma lingerie com o [logo] do coqueirinho para a esposa sem deixá-la brava”, afirmou.

Apesar dos planos de reformulação, a assessoria de comunicação confirmou o encerramento das atividades do Bahamas Hotel Club e informou que, até o momento, não há previsão de um pronunciamento público dos herdeiros.

Oscar Maroni deixou quatro filhos: Aratã, Aruã, Acauã e Aritana, chef de cozinha e única mulher entre os irmãos. Os nomes foram inspirados em uma antiga novela exibida pela TV Tupi na década de 1970.

Fonte: GQ