Carta de Bolsonaro em apoio a Flávio gera reação do PT, críticas e incômodo em Michelle

A carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), divulgada nas redes sociais no último sábado (11), provocou repercussão política imediata. O documento motivou uma ação do PT no Supremo Tribunal Federal (STF), gerou críticas de pré-candidatos à Presidência da República e causou incômodo à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Horas após Flávio Bolsonaro publicar e ler a carta durante uma transmissão ao vivo, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou um recurso no STF pedindo a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente.

No pedido, o parlamentar sustenta que Jair Bolsonaro teria descumprido as condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao produzir uma mensagem de conteúdo político-eleitoral posteriormente divulgada por seu filho nas redes sociais.

Segundo Lindbergh Farias, Bolsonaro “descumpriu deliberadamente as condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao redigir uma carta de conteúdo político-eleitoral, posteriormente lida e exibida por Flávio Bolsonaro em transmissão ao vivo nas redes sociais”.

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O deputado também afirmou que “o que houve foi uma violação deliberada de uma ordem expressa do Supremo. Bolsonaro transformou a prisão domiciliar em instrumento de comunicação eleitoral e Flávio assumiu publicamente o papel de intermediário dessa burla”.

Carta também provoca críticas de adversários

A manifestação do ex-presidente também foi alvo de críticas de outros pré-candidatos à Presidência.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que a carta demonstra “extrema fragilidade” na campanha de Flávio Bolsonaro.

Já Renan Santos, do Missão, classificou o episódio como “ridículo” e chamou o senador de “criança”, afirmando que ele recorreu ao pai após uma reprimenda da madrasta, Michelle Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro ficou incomodada, dizem aliadas

De acordo com pessoas próximas à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro não estava em casa quando Flávio visitou o pai no sábado. Ela participava de um encontro religioso e soube da divulgação da carta apenas pelas redes sociais.

Embora o texto não cite Michelle nominalmente, aliados interpretaram o conteúdo como um recado direto à ex-primeira-dama.

Na mensagem, Jair Bolsonaro afirma que é momento de deixar as divergências de lado, “arregaçar as mangas” e trabalhar pela campanha de Flávio Bolsonaro, tratado como seu pré-candidato e porta-voz.

Durante a transmissão em que apresentou a carta, Flávio declarou que existem pessoas que dizem vestir a camisa do ex-presidente, mas estariam trabalhando para boicotar sua candidatura à Presidência da República.

Segundo aliadas de Michelle Bolsonaro, a iniciativa não contribui para uma reconciliação dentro do grupo político e, ao contrário, aprofunda a divisão existente. Elas afirmam ainda que a ex-primeira-dama ficou incomodada com a atitude do marido e do enteado.

Amigas de Michelle também disseram que ela está preocupada com a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes revogar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e determinar seu retorno ao regime fechado na unidade conhecida como Papudinha.

Aliados de Bolsonaro reagem ao recurso do PT

Aliados de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro criticaram a decisão do PT de recorrer ao STF.

Segundo esses interlocutores, durante o período em que esteve preso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do debate político, concedeu entrevistas e divulgou cartas com orientações políticas durante a campanha presidencial de 2018.

“Por que Lula podia e Bolsonaro não pode?”, questionou um aliado do ex-presidente ao comentar o recurso apresentado pelo PT.

Fonte: G1