Copa do Mundo registra ao menos 7 casos de racismo em pouco mais de um mês; Mbappé é o principal alvo

A pouco mais de um mês do início da Copa do Mundo, em 11 de junho, o torneio já acumula ao menos sete casos ou acusações de racismo envolvendo jogadores, árbitros, autoridades, influenciadores e figuras públicas. O atacante francês Kylian Mbappé aparece como o principal alvo dos episódios de discriminação registrados até agora.

O caso mais recente ocorreu neste domingo (12), quando políticos franceses acusaram o ex-presidente do governo da Espanha Mariano Rajoy de racismo e xenofobia após a publicação de um artigo de opinião no qual afirmou que a seleção da França “já não tinha franceses”.

O episódio ganhou repercussão internacional por ocorrer às vésperas da semifinal entre França e Espanha. Nas redes sociais, mensagens com o mesmo argumento também circularam e foram contestadas por especialistas no tema.

Fifa registra aumento de ataques racistas

Esta é a primeira edição da Copa do Mundo em que a Fifa adota oficialmente o protocolo antirracismo durante as partidas. O procedimento prevê até a interrupção dos jogos caso ocorram manifestações discriminatórias nas arquibancadas ou dentro de campo.

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Até o momento, porém, o protocolo ainda não precisou ser acionado durante as partidas.

Fora dos gramados, a entidade informou que houve um crescimento expressivo dos ataques racistas nas redes sociais durante o torneio.

Segundo levantamento da Fifa, foram identificadas 89 mil publicações abusivas apenas na fase de grupos, número 13 vezes maior do que o registrado na Copa do Mundo de 2022.

Do total de mensagens analisadas, 11% continham conteúdo racial, percentual superior ao observado na edição anterior do Mundial.

Mbappé foi alvo de ataques em diferentes episódios

O atacante Kylian Mbappé é o jogador mais atingido pelos casos registrados até agora, tanto individualmente quanto em ataques direcionados à seleção francesa.

Mariano Rajoy é acusado de racismo

O episódio mais recente envolve o ex-primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy.

Em artigo de opinião, ele afirmou que a seleção francesa “já não tinha franceses”, declaração que provocou reação de políticos da França, que classificaram o texto como racista e xenófobo.

A polêmica ocorreu às vésperas da semifinal entre França e Espanha e repercutiu internacionalmente.

Senadora do Paraguai faz ataques contra Mbappé

Após a eliminação do Paraguai, uma senadora do país publicou mensagens ofensivas contra Mbappé nas redes sociais.

Além de chamá-lo de “arrogante” e “feio”, ela fez comentários de motivação racial.

“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”, escreveu.

As declarações foram amplamente criticadas.

Influenciador IShowSpeed sofre insultos

O influenciador americano IShowSpeed, que acompanhava a seleção de Cabo Verde, foi alvo de ataques racistas durante a partida contra a Argentina.

Após a divulgação de vídeos mostrando torcedores hostilizando o criador de conteúdo dentro do estádio, a Fifa abriu investigação sobre o caso.

Técnico do Egito faz gesto antirracismo

Na partida entre Egito e Argentina, o treinador da seleção egípcia cruzou os braços em formato de “X”, gesto adotado pela Fifa como símbolo oficial para denunciar episódios de racismo.

A manifestação ocorreu após um gol da equipe adversária e gerou repercussão, embora o protocolo oficial não tenha sido acionado.

Árbitro de VAR foi investigado

Ainda na primeira semana da competição, um árbitro de vídeo passou a ser investigado após realizar um gesto com os dedos interpretado por parte do público como um símbolo associado a grupos supremacistas brancos.

A Fifa apurou o caso, mas concluiu posteriormente que não havia elementos suficientes para caracterizar discriminação e inocentou o profissional.

Schweinsteiger também foi alvo de críticas

O ex-jogador Bastian Schweinsteiger, campeão mundial com a Alemanha, também foi acusado de racismo após comentar, durante uma transmissão da televisão alemã, que o futebol da Costa do Marfim era “selvagem”.

A declaração foi criticada por especialistas, veículos de imprensa e comentaristas, que apontaram a reprodução de estereótipos relacionados às seleções africanas.

Ambiente digital preocupa a Fifa

Além dos episódios registrados envolvendo personalidades e profissionais do futebol, a Fifa afirmou que o crescimento dos ataques nas redes sociais tornou-se uma das principais preocupações durante o Mundial.

O monitoramento realizado pela entidade analisou mais de seis milhões de publicações, identificando 89 mil mensagens abusivas apenas na fase de grupos.

Segundo a Fifa, 11% desse conteúdo apresentava caráter racista, índice superior ao registrado na Copa do Mundo do Catar e considerado um aumento significativo da discriminação no ambiente digital durante a competição.

Fonte: OGLOBO