Funcionário número 1 completa 76 anos na mesma empresa e emociona com história de dedicação

Aos 96 anos, Dorival Dutra da Silva, funcionário número 1 da Rodobens, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, alcançou uma marca rara no mercado de trabalho: 76 anos de atuação na mesma empresa. Contratado em abril de 1950, poucos meses após a fundação do grupo, ele afirma que jamais cogitou abandonar a profissão e atribui ao trabalho parte de sua qualidade de vida.

Dorival iniciou a carreira aos 20 anos, ocupando o cargo de office boy. Na época, enfrentava dificuldades financeiras com a família e decidiu abrir mão de parte da juventude para ajudar nas despesas da casa. Sensibilizado com sua situação, o fundador da empresa resolveu contratá-lo para atuar como colaborador administrativo.

Em entrevista ao g1, Dorival relembrou como surgiu a oportunidade que mudaria sua vida profissional.

“Antes de chegar à Rodobens, trabalhei ao lado do meu pai dos 14 aos 20 anos. Ele passou por um imprevisto no negócio da família e precisei buscar novas oportunidades para ajudar em casa. Foi aí que uma amizade abriu a porta da minha vida profissional: meu pai era amigo do Sr. Waldemar de Oliveira Verdi, que havia acabado de fundar uma pequena empresa. Nunca imaginei que aquele primeiro emprego seria também o único da minha vida”, afirmou.

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Ao longo das décadas, a Rodobens expandiu suas operações e passou a figurar entre as melhores empresas para trabalhar, segundo o ranking Great Place to Work (GPTW). Atualmente, o grupo reúne cerca de três mil colaboradores em diferentes áreas, mas nenhum deles superou o tempo de casa alcançado por Dorival.

Durante sua trajetória, ele passou por diferentes funções. Depois de iniciar como colaborador administrativo, despertou interesse pela área de peças para caminhões, experiência que marcou grande parte de sua carreira. A dedicação o levou ao balcão de peças e, posteriormente, à gerência do setor em 1967.

“Foram muitos desafios. Comecei como colaborador administrativo, mas a curiosidade pelas peças de caminhão me impulsionou. Essa proatividade acabou me levando para o balcão de peças, onde construí boa parte da minha carreira, até assumir a gerência da área, em 1967”, relembrou.

Após 45 anos dedicados ao segmento de veículos, Dorival foi convidado para assumir a função de diretor administrativo e representante da empresa. Mesmo aposentado oficialmente desde 1981, ele continua exercendo atividades no grupo.

Próximo de completar 100 anos, Dorival afirma que seguir trabalhando é uma escolha motivada pela paixão pela profissão e pelo desejo de manter a mente ativa.

“Nunca pensei em desistir. Aposentei-me oficialmente em 1981, mas continuo contribuindo. Tenho a sensação de que adoeço se eu parar. O trabalho faz com que a gente viva melhor. Confesso que, por muitos anos, vivi de forma exagerada em torno do trabalho. Com o tempo, encontrei o equilíbrio. Gratidão é a palavra que resume tudo”, declarou.

Exemplo para novas gerações

Além da longa permanência na empresa, Dorival também é reconhecido pelas relações construídas ao longo da carreira. Embora já não conviva diariamente com muitos antigos colegas, mantém contato e amizade com diversas pessoas que fizeram parte de sua trajetória.

Segundo a Rodobens, sua história inspira tanto os funcionários recém-contratados quanto as lideranças da companhia.

O diretor de gente, tecnologia e serviços da empresa, Thiago Tagliaferro, destacou a dedicação e a capacidade de adaptação do colaborador ao longo de mais de sete décadas.

“Destaco toda a dedicação e paciência para crescer, nessas mais de sete décadas trabalhando na mesma empresa, passando por todos os ciclos financeiros e de desenvolvimento do país, estando sempre disponível para encarar os desafios que lhes eram apresentados pela companhia”, afirmou.

Com sede em São José do Rio Preto, a Rodobens atua em um ecossistema de distribuição voltado para serviços financeiros, incluindo consórcio, seguros, crédito, leasing e locação, apoiados por uma plataforma integrada de concessionárias automotivas.

Para Thiago, a história de Dorival também evidencia um comportamento cada vez mais raro entre profissionais mais jovens.

“A visão de longo prazo, não é uma característica das gerações atuais, e isso tem impactado na construção de algo significante e que possa gerar resultados sustentáveis”, concluiu.

Fonte: G1