O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma mobilização para tentar evitar uma paralisação dos caminhoneiros após a categoria ameaçar interromper atividades em meio ao impasse sobre a votação da Medida Provisória nº 1.343, conhecida como MP do Frete, no Senado Federal.
A Advocacia-Geral da União (AGU) foi informada sobre a possibilidade de paralisação na noite deste domingo (12/7). A medida faz parte da estratégia do governo para acompanhar possíveis desdobramentos do movimento, caso a manifestação avance nesta terça-feira (13/7).
Os ministros José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, e Miriam Belchior, da Casa Civil, também foram comunicados sobre a ameaça.
Apesar da preocupação, integrantes do governo avaliam que ainda existe possibilidade de acordo ao longo desta segunda-feira (13/7) para viabilizar a análise da proposta no Senado. A MP altera regras do piso mínimo do frete e inclui medidas que atendem reivindicações apresentadas pelos caminhoneiros.

Caminhoneiros anunciam paralisação e pressionam Senado
A ameaça de mobilização ganhou força após o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, anunciar uma paralisação nos portos a partir da meia-noite desta segunda-feira.
O dirigente também fez uma cobrança ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a medida seja colocada em votação.
“Terça-feira a gente tem uma sinalização de que vai colocar para votar, mas a orientação é que você, caminhoneiro, não saia para viajar a partir da 0h, para que a gente possa acompanhar até terça-feira e ver se, de fato, a MP vai entrar na pauta. Não vamos aceitar que ela caduque. Davi Alcolumbre, você foi avisado. Agora você segura, meu irmão”, afirmou Chorão.
A categoria pressiona para que a proposta avance antes de perder a validade.
O que prevê a MP do Frete
A Medida Provisória nº 1.343 prevê o reforço dos mecanismos de fiscalização do frete e estabelece um piso salarial nacional de R$ 5 mil para trabalhadores celetistas do transporte de cargas.
O texto também propõe mudanças no cálculo dos pisos mínimos do frete, considerando custos operacionais como combustível, manutenção e seguros.
A MP foi editada em março, em meio a ameaças de greve por parte dos caminhoneiros.
Na Câmara dos Deputados, a proposta foi aprovada em 17 de junho. Durante a votação, foi incluído um chamado “jabuti”, trecho inserido em uma proposta sem relação direta com o tema principal, que prevê o perdão de multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores punidos por bloqueios de rodovias realizados após a vitória eleitoral de Lula em 2022.
Agora, o governo tenta construir um acordo para evitar uma paralisação e garantir a votação da medida no Senado.
Fonte: METRÓPOLES



