Governo Lula mantém negociações para tentar evitar tarifaço dos EUA na reta final

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica as negociações com os Estados Unidos para tentar impedir a ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros, cuja decisão deve ser anunciada até a próxima quarta-feira. Apesar dos esforços diplomáticos, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o cenário mais provável seja a confirmação da medida pelo governo de Donald Trump.

Caso seja implementado, o tarifaço elevará em 25% as tarifas sobre as importações de produtos brasileiros, afetando diversos setores da economia nacional.

Na última sexta-feira, Lula reuniu-se com auxiliares no Palácio do Planalto e determinou que as negociações com os Estados Unidos sejam mantidas até o último momento. Durante o encontro, o presidente discutiu o cenário com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Na avaliação do governo, embora a possibilidade de retaliação comercial seja considerada a mais provável, o Brasil deve seguir buscando uma solução negociada. Lula voltou a defender que as tarifas são injustas e injustificáveis e afirmou que a obrigação do governo é esgotar todas as tentativas de diálogo antes da decisão americana.

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Também foi debatida a possibilidade de uma nova reunião com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), antes do encerramento do prazo. Até o momento, entretanto, o encontro ainda não foi agendado.

O governo brasileiro considera que as sanções poderão atingir setores inteiros da economia e reforça que não pretende fazer concessões em temas considerados estratégicos, como o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Desde a reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca, realizada em maio para tratar do tarifaço, representantes dos dois países já se encontraram quatro vezes com Jamieson Greer para discutir o tema.

O Planalto também trabalha com a expectativa de que, caso os Estados Unidos confirmem a aplicação definitiva das tarifas, a lista dos produtos afetados seja divulgada antes do anúncio oficial.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos podem ser atingidos pelas novas tarifas. Entre eles estão açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

Somente após a decisão do governo americano é que o Palácio do Planalto pretende definir uma resposta oficial e discutir eventuais medidas de reação.

A possibilidade de adotar medidas de reciprocidade ainda não está sendo analisada detalhadamente, já que o governo considera impossível planejar uma resposta antes de conhecer exatamente quais produtos serão atingidos.

Segundo auxiliares de Lula, será necessário avaliar item por item da lista de produtos tarifados para medir os impactos econômicos e definir a estratégia do Brasil.

Entenda a investigação dos Estados Unidos

O tarifaço foi proposto pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial americana. O relatório classifica uma série de atos, políticas e práticas adotadas pelo Brasil como “irracionais” ou capazes de restringir o comércio dos Estados Unidos.

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo já utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo a China.

Entre os principais questionamentos feitos pelo governo americano está o funcionamento do Pix. Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que, na avaliação dos Estados Unidos, criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamentos digitais.

Além disso, os Estados Unidos também contestam decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais. O documento afirma que autoridades judiciais determinaram, de forma sigilosa, a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em redes sociais, incluindo contas de pessoas residentes nos Estados Unidos.

Fonte: OGLOBO