Com o avanço da inteligência artificial na produção de conteúdo, cresce também a procura por ferramentas capazes de identificar se um texto foi escrito por um ser humano ou gerado por IA. Para avaliar a eficiência desses serviços, o TechTudo testou quatro dos principais detectores disponíveis no mercado utilizando um texto produzido por uma pessoa e outros três criados pelos modelos ChatGPT, Gemini e Claude.
Entre as plataformas analisadas, apenas o GPTZero acertou todas as classificações. As demais apresentaram falhas em pelo menos um dos testes, registrando falsos positivos ou falsos negativos.
Como o teste foi realizado
Para garantir uma comparação equilibrada, os mesmos quatro textos foram submetidos a todos os detectores. O conjunto incluiu um conteúdo escrito integralmente por um humano e outros três produzidos pelos modelos ChatGPT, Gemini e Claude.
Sempre que possível, os prompts utilizados para gerar os textos por inteligência artificial foram os mesmos, mantendo tema, tamanho e grau de complexidade semelhantes. Nenhum conteúdo foi alterado antes da análise.

Os resultados consideraram principalmente a precisão na identificação da autoria, a ocorrência de falsos positivos — quando um texto humano é classificado como IA — e falsos negativos — quando um texto criado por IA é identificado como humano. Também foram avaliados critérios como facilidade de uso, necessidade de cadastro, limitações da versão gratuita e recursos adicionais oferecidos pelas plataformas.
Texto humano revelou diferenças entre os detectores
O primeiro teste utilizou um texto escrito integralmente por uma pessoa sobre inteligência artificial.
O GPTZero classificou corretamente o conteúdo como 100% humano, informando estar altamente confiante na conclusão.
O ZeroGPT também acertou a identificação e não encontrou trechos que sugerissem uso de IA.
Já o Copyleaks apresentou o pior resultado da etapa ao classificar o texto como 100% gerado por inteligência artificial, produzindo um falso positivo.
O QuillBot AI Detector também errou ao apontar que 56% do conteúdo provavelmente havia sido criado por IA, destacando as duas primeiras frases como artificiais.
Todos identificaram corretamente texto criado pelo ChatGPT
Na segunda etapa, foi analisado um texto produzido pelo ChatGPT.
Nesse caso, houve consenso entre as quatro ferramentas.
O GPTZero classificou o conteúdo como gerado por IA com 99% de confiança.
O ZeroGPT apontou 91,4% de probabilidade de autoria por inteligência artificial, destacando praticamente todo o texto.
O Copyleaks indicou 100% de conteúdo gerado por IA.
Já o QuillBot AI Detector atribuiu 93% de probabilidade ao texto.
Gemini enganou um dos detectores
O terceiro teste utilizou um texto produzido pelo Gemini.
GPTZero, Copyleaks e QuillBot AI Detector identificaram corretamente o conteúdo como gerado por inteligência artificial, atribuindo 100% de probabilidade.
O ZeroGPT, porém, apresentou o resultado mais inesperado ao classificar o texto como 100% humano, atribuindo 0% de probabilidade de uso de IA. O caso representou o único falso negativo registrado durante todos os testes.
Claude também expôs limitações
No quarto teste, o texto foi produzido pelo Claude.
O GPTZero voltou a acertar a classificação, indicando 100% de probabilidade de autoria por IA. Durante essa análise, entretanto, a plataforma passou a exigir login para continuar utilizando a versão gratuita.
O Copyleaks também classificou corretamente o conteúdo como totalmente gerado por inteligência artificial.
O QuillBot AI Detector reconheceu corretamente a autoria, apontando 79% de probabilidade.
Já o ZeroGPT apresentou um resultado considerado inconclusivo. A ferramenta informou que o texto provavelmente havia sido escrito por um humano, embora pudesse conter trechos gerados por IA, atribuindo 48,6% de probabilidade de uso de inteligência artificial.
GPTZero foi o único sem erros
Ao final dos testes, o GPTZero foi a única ferramenta que acertou as quatro análises, sem registrar falsos positivos nem falsos negativos.
Além da classificação, a plataforma informa o grau de confiança da análise e compara o texto com documentos semelhantes. Sua interface é simples, embora a versão gratuita apresente limitações de uso após determinado número de consultas.
ZeroGPT teve desempenho irregular
O ZeroGPT acertou a identificação do texto humano e do conteúdo produzido pelo ChatGPT, mas falhou completamente ao analisar o texto criado pelo Gemini e apresentou resultado inconclusivo para o conteúdo gerado pelo Claude.
Como diferencial, a ferramenta destaca visualmente os trechos considerados produzidos por inteligência artificial, recurso que ajuda a entender como a classificação foi realizada, apesar das inconsistências observadas.
Copyleaks acertou textos de IA, mas errou o humano
O Copyleaks classificou corretamente como gerados por inteligência artificial todos os textos produzidos pelo ChatGPT, Gemini e Claude.
Entretanto, também foi responsável pelo falso positivo mais expressivo do teste ao indicar que o texto escrito por um humano era 100% gerado por IA.
Sua interface é objetiva, mas oferece poucas explicações sobre os critérios utilizados para chegar ao resultado.
QuillBot apresentou desempenho intermediário
O QuillBot AI Detector identificou corretamente todos os textos produzidos por inteligência artificial, atribuindo 93% de probabilidade ao conteúdo do ChatGPT, 100% ao do Gemini e 79% ao do Claude.
O único erro ocorreu na análise do texto humano, quando classificou 56% do conteúdo como gerado por IA e destacou as duas primeiras frases como artificiais.
A plataforma oferece uma interface simples e também permite visualizar os trechos considerados produzidos por inteligência artificial.
Detectores ainda exigem cautela
Os testes indicam que as ferramentas de detecção de textos gerados por inteligência artificial ainda apresentam limitações importantes.
Embora todas tenham identificado corretamente ao menos parte dos conteúdos produzidos por IA, somente o GPTZero manteve desempenho consistente em todas as situações analisadas.
Já QuillBot AI Detector e Copyleaks registraram falsos positivos ao analisar um texto humano, enquanto o ZeroGPT apresentou o desempenho mais instável, deixando de reconhecer um texto produzido pelo Gemini e oferecendo uma avaliação inconclusiva para o conteúdo gerado pelo Claude.
Na prática, os resultados mostram que detectores de IA podem servir como ferramenta de apoio, mas não devem ser considerados prova definitiva de autoria. A ocorrência de falsos positivos e falsos negativos demonstra que suas análises precisam ser interpretadas com cautela, especialmente em contextos acadêmicos, profissionais e jurídicos.
Fonte: TechTudo



