Técnica de enfermagem presa por tentar levar recém-nascida em maternidade no Piauí dizia estar grávida e convenceu familiares, afirma delegado
A técnica de enfermagem presa por tentar retirar uma recém-nascida da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI), teria convencido familiares, colegas de trabalho e até um ex-namorado de que estava grávida. A informação foi confirmada pelo delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), responsável pela investigação do caso.
O episódio aconteceu na tarde de 6 de junho e continua sendo investigado. O programa Fantástico teve acesso a imagens exclusivas que mostram a tentativa de sequestro da bebê. A suspeita trabalhava na maternidade havia cerca de dois anos.
A prisão preventiva foi cumprida após a mulher receber alta do Hospital Areolino de Abreu, para onde havia sido levada por familiares para atendimento psiquiátrico. O g1 informou que não conseguiu confirmar se ela permanece presa.

Segundo o delegado Hugo Alcântara, todas as pessoas próximas acreditavam que Auricélia Rocha estava esperando um filho.
“Todos os parentes acreditavam que ela estava grávida.”
Ex-namorado acreditava que seria pai da criança
De acordo com a investigação, o ex-companheiro da técnica afirmou que, no fim do ano passado, ela contou que estava grávida e que ele seria o pai do bebê.
Segundo o delegado, o homem chegou a ajudar na preparação para a chegada da criança.
“A gente chegou a ouvir o ex-namorado dela, namorado na época dos fatos, que relatou que no final do ano passado ela disse pra ele que estava grávida e que o filho era dele. Ele até comprou coisas para o bebê, armário, ajudou a comprar fraldas e berço a pedido dela. Ele também acreditava que ela estava grávida”, afirmou Hugo Alcântara.
Ainda conforme o depoimento, o ex-namorado relatou que chegou a perceber mudanças físicas que indicariam uma gestação, mas passou a desconfiar quando ela evitava sua presença em supostos exames de pré-natal.
“Ele relatou que no início percebeu a barriga dela crescendo e tudo. No decorrer do tempo, relatou que fazia mais ou menos uns três meses que eles estavam sem ter um contato mais íntimo, que ela passou a se trocar longe dele. Ele alegou que teria recebido alguns exames de imagem, mas nenhum com o nome dela”, explicou o delegado.
Segundo Hugo Alcântara, não há comprovação de que Auricélia tenha estado grávida em algum momento.
“A verdade é que não temos uma comprovação se ela está ou não grávida. Temos a comprovação que, atualmente, ela não está grávida.”
Bebê foi encontrada dentro de uma bolsa
A tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, contou à Rede Clube que encontrou a sobrinha dentro da bolsa utilizada pela suspeita, com o zíper parcialmente aberto.
Segundo ela, acompanhava a irmã após o parto quando foi abordada por uma mulher vestida como as demais profissionais da maternidade. A técnica teria informado que realizaria os testes da orelhinha e do pezinho, exames necessários para que a bebê pudesse receber alta hospitalar.
Daniela afirmou que foi orientada a aguardar do lado de fora de uma sala localizada em outro andar, enquanto a mãe da criança permaneceu no quarto se recuperando do parto.
“Ela disse: ‘Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela’. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim.”
Pouco depois, Daniela percebeu que a mulher saía do local usando roupas diferentes, com os cabelos soltos e óculos.
Ao abordá-la, encontrou a recém-nascida escondida dentro da bolsa.
“Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha.”
A tia da criança afirmou ainda que pediu o acionamento da polícia, mas, segundo seu relato, apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento.
Polícia encontrou quarto preparado para um bebê
Durante as investigações, policiais estiveram na residência da técnica de enfermagem e encontraram um quarto completamente preparado para receber um bebê.
No imóvel havia fraldas, roupas, banheira e berço. Conforme o delegado Hugo Alcântara, familiares também acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela nunca tenha apresentado exames que comprovassem a gestação.
Em depoimento à polícia, a investigada optou por permanecer em silêncio.
Defesa cita tratamento psiquiátrico
Em nota, a defesa informou que Auricélia Rocha foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados.
Apesar da manifestação da defesa, o delegado responsável pelo caso afirmou que a investigação não considera, até o momento, a hipótese de insanidade mental capaz de afastar a responsabilização pelos atos.
Segundo a Polícia Civil, as apurações indicam que Auricélia Rocha agiu sozinha na tentativa de retirar a recém-nascida da maternidade.
Fonte: G1



