Governo aprova gasolina com 32% de etanol e acelera plano para ampliar mistura

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, em reunião realizada na terça-feira (14), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa dos atuais 30% para 32%, criando a chamada gasolina E32. A decisão representa mais um passo do governo rumo à meta de elevar o percentual para 35% até 2029, conforme previsto nas diretrizes da Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024. Em março, o governo já havia anunciado a intenção de atingir esse objetivo com investimento de R$ 30 milhões.

Segundo o governo, a decisão foi baseada nos testes realizados antes da adoção da gasolina E30. Os ensaios consideraram uma margem de tolerância de dois pontos percentuais, alcançando a concentração de 32% de etanol, o que serviu de base para a nova aprovação.

Além dos estudos técnicos, o cenário geopolítico internacional também influenciou a decisão. Com a intensificação da guerra entre Estados Unidos e Irã e a alta dos preços do petróleo, o governo avalia que ampliar a participação do etanol na gasolina reduzirá a dependência brasileira da importação de combustíveis fósseis.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que, com a adoção da gasolina E32, o Brasil deixará de importar cerca de 500 milhões de litros de gasolina por mês, tornando-se autossuficiente na produção do combustível.

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A mistura de etanol na gasolina vem sendo ampliada gradualmente ao longo dos anos. Após permanecer durante muitos anos em 22%, o percentual subiu para 27,5% em 2015, permaneceu nesse patamar por uma década, foi elevado para 30% em agosto de 2025 e agora chega a 32%.

Para os proprietários de veículos flex, o principal impacto esperado é o aumento no consumo de combustível. Segundo Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), isso ocorre porque o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, reduzindo ligeiramente a autonomia quando o veículo é abastecido com gasolina.

Já para os carros movidos exclusivamente a gasolina, especialmente os mais antigos, o especialista alerta para possíveis problemas. De acordo com Gonçalves, alguns modelos não foram projetados para operar com uma concentração tão elevada de etanol e podem apresentar corrosão em borrachas e elastômeros, além de falhas provocadas pelos sensores eletrônicos que podem não reconhecer corretamente a nova mistura.

O engenheiro ressalta ainda que veículos desenvolvidos quando a gasolina continha apenas 22% de etanol foram preparados para trabalhar com uma concentração significativamente menor. Para esses modelos, a recomendação é utilizar gasolinas especiais, que possuem menor teor de etanol.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) declarou apoiar o avanço dos biocombustíveis como estratégia de descarbonização da mobilidade, mas manifestou posição contrária à adoção obrigatória da gasolina E32 sem novos estudos técnicos específicos.

Segundo a entidade, os testes que embasaram a implementação da gasolina E30 avaliaram desempenho e dirigibilidade considerando a margem de tolerância da especificação do combustível, mas não contemplaram ensaios de durabilidade, emissões, autonomia nem validação da frota utilizando obrigatoriamente a mistura E32.

A Anfavea também argumenta que os testes realizados com combustível contendo até 32% de etanol serviram apenas para verificar a margem de tolerância prevista para o E30, e não para comprovar a segurança da adoção permanente da gasolina E32. Além disso, destaca que a especificação da nova mistura admite combustíveis com até 34% de etanol, condição que, segundo a entidade, também não passou por validação técnica específica.

Por isso, a associação defende que a adoção definitiva da gasolina E32 ocorra somente após a conclusão de estudos capazes de comprovar a compatibilidade da nova mistura com toda a frota em circulação e garantir a segurança técnica dos consumidores.

Fonte: Auto Esporte