A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos passou a ocupar o centro da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em meio ao cenário pré-eleitoral. Enquanto o governo federal tenta evitar a medida por meio de negociações diplomáticas, o parlamentar viajou aos Estados Unidos para defender o adiamento da decisão.
Na última semana, Flávio Bolsonaro esteve em Washington, onde se reuniu ao irmão Eduardo Bolsonaro, que vive no país, para tratar do tema com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A visita ocorreu durante a fase final da investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Durante as audiências realizadas pelo USTR, que subsidiam a decisão final sobre as tarifas, Flávio Bolsonaro defendeu que o governo dos Estados Unidos adiasse qualquer decisão para depois das eleições brasileiras, previstas para outubro.
Segundo o senador, uma mudança no cenário político brasileiro poderia ocorrer em poucos meses.

“Em apenas 90 dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente.”
Em sua manifestação, Flávio também argumentou que a adoção imediata das tarifas prejudicaria quem não teria responsabilidade pelas medidas investigadas.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, afirmou, conforme nota divulgada por sua assessoria.
Nos bastidores da pré-campanha do PL, a avaliação era de que a viagem permitiria ao senador reforçar a imagem de defensor das empresas brasileiras e das exportações nacionais diante da ameaça das novas tarifas.
A iniciativa provocou reação do governo federal. Integrantes da administração Lula passaram a acusar o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro de atuar contra os interesses do Brasil e de prejudicar os exportadores brasileiros.
Um dos principais negociadores brasileiros junto ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que as tratativas com os Estados Unidos devem permanecer restritas ao campo comercial.
“Não há espaço para discussão de outra natureza político, eleitoral, egoística, qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil, a defesa da soberania e a defesa dos reais interesses do Brasil”, declarou o ministro.
Segundo ele, as negociações estão concentradas exclusivamente na relação comercial entre os dois países e na disposição do Brasil de cooperar no combate ao crime organizado.
Sem avanços nas conversas, a decisão do governo americano sobre a aplicação das tarifas poderá ser anunciada nesta quarta-feira.
O USTR concluiu, em junho, a investigação comercial contra o Brasil e recomendou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções previstas em uma lista específica.
O processo foi conduzido com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo dos Estados Unidos investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e aplicar sanções comerciais aos países envolvidos.
A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Fonte: OGLOBO



