Trump ameaça atacar montanha nuclear do Irã; entenda por que Pickaxe virou alvo dos EUA

A montanha de Pickaxe, localizada na região central do Irã, passou a ocupar o centro das atenções internacionais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende ordenar um ataque ao local. A declaração foi feita na segunda-feira (13), durante entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt, na qual o republicano afirmou que o governo norte-americano monitora de perto as atividades na região.

“Digam aos iranianos para estarem preparados”, declarou Trump. “Provavelmente vamos atacar Pickaxe em um futuro relativamente próximo.”

A importância estratégica da montanha está diretamente ligada ao programa nuclear iraniano. Nas proximidades está instalada a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, considerada uma das principais estruturas nucleares do país. A área, situada a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã, abriga instalações subterrâneas construídas para suportar bombardeios e figura entre os locais mais protegidos pelo governo iraniano.

Recentemente, a região foi alvo de ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos. No entanto, ainda não há informações conclusivas sobre a dimensão dos danos causados.

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De acordo com especialistas ouvidos pela agência Reuters, existem dois grandes complexos de túneis escavados sob a montanha. Embora não haja confirmação oficial sobre o conteúdo dessas estruturas, há suspeitas de que elas armazenem equipamentos essenciais para o enriquecimento de urânio.

O urânio altamente enriquecido pode ser utilizado na fabricação de armas nucleares. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear possui exclusivamente objetivos pacíficos.

Para atingir instalações protegidas em grandes profundidades, seriam necessárias bombas perfuradoras, conhecidas como antibunkers. Esse tipo de armamento foi desenvolvido para atravessar camadas de solo, concreto e rocha antes de detonar, destruindo estruturas fortificadas construídas abaixo da superfície.

Segundo o jornal israelense Haaretz, bombas desse tipo teriam sido empregadas pelos Estados Unidos durante um ataque realizado à região em março deste ano. O governo norte-americano, entretanto, nunca confirmou oficialmente a operação nem revelou qual armamento teria sido utilizado.

A principal bomba antibunker do arsenal dos Estados Unidos é a GBU-57 A/B, chamada de Massive Ordnance Penetrator (MOP). Com aproximadamente 14 toneladas e seis metros de comprimento, ela foi projetada para perfurar camadas profundas de solo, concreto e rochas antes da explosão, tendo como principal objetivo destruir bunkers e instalações subterrâneas.

Segundo a Força Aérea dos EUA, atualmente apenas o bombardeiro furtivo B-2 Spirit é capaz de transportar e lançar esse armamento. Estimativas apontam que a GBU-57 consegue penetrar cerca de 61 metros abaixo da superfície antes de explodir. Em uma mesma missão, várias bombas podem ser lançadas em sequência para alcançar alvos ainda mais profundos.

Apesar de utilizar uma ogiva convencional, especialistas alertam que um eventual ataque contra instalações nucleares pode provocar a liberação de material radioativo, dependendo do local atingido.

Mesmo com o elevado poder destrutivo da GBU-57, especialistas consultados pela Reuters avaliam que os túneis existentes sob a montanha de Pickaxe podem ter sido construídos em profundidade suficiente para resistir até mesmo à mais potente bomba antibunker disponível no arsenal dos Estados Unidos.

Fonte: G1