A Justiça de São Paulo determinou, em decisão liminar, que o filho da advogada Karina de Paula Kufa permaneça provisoriamente sob os cuidados do pai, Amilton Augusto da Silva Júnior, após o período de convivência das férias escolares. A medida foi tomada depois que Karina oficializou o casamento com o empresário Thiago Antonio Brennand Tavares da Silva Fernandes Vieira, preso desde 2023.
Karina Kufa atua na defesa criminal de Brennand e também já participou de casos de grande repercussão envolvendo, entre outros clientes, integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Divorciada, ela é mãe de dois filhos e informou que ambos foram comunicados previamente sobre sua decisão de se casar.
A decisão foi assinada na segunda-feira (14) pelo juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, da 12ª Vara da Família e Sucessões do Foro Central Cível de São Paulo.
Segundo o processo, a guarda da criança é compartilhada e, por acordo homologado em 19 de março de 2026, a residência de referência havia sido fixada com a mãe.

Juiz cita gravidade das acusações contra Brennand
Na decisão, o magistrado destaca que Thiago Brennand responde por diversos crimes contra diferentes vítimas, conforme consta em sua folha de antecedentes.
O juiz afirma que as acusações atribuídas ao empresário são “extremamente graves” e envolvem “requintes de crueldade”, inclusive em relação ao próprio filho. Também menciona que os casos envolvendo mulheres com quem Brennand manteve relacionamento tiveram ampla repercussão na imprensa.
Diante desse contexto, o magistrado considerou “razoável questionar se a manutenção do domicílio de referência materno atende os melhores interesses da criança”.
Embora ressalte que a questão ainda depende do contraditório, da produção de provas e da análise definitiva do pedido de tutela de urgência, o juiz entendeu que a gravidade potencial dos fatos justificava uma medida cautelar imediata.
Assim, determinou que, ao término do período de convivência paterna durante as férias, o menino permaneça com o pai, sem retornar provisoriamente à residência da mãe.
A decisão também autoriza Amilton Augusto da Silva Júnior a providenciar a matrícula do filho em uma escola na cidade de São Paulo.
Defesa ainda será ouvida
Karina Kufa terá cinco dias, contados a partir da ciência da decisão, para apresentar manifestação específica sobre o pedido de tutela de urgência.
O magistrado ressaltou que o mérito da medida ainda será analisado após a manifestação da defesa e do Ministério Público.
Além disso, foi determinada a realização de perícia psicológica para avaliar se o pai e sua companheira possuem condições de atender às necessidades da criança e se a mudança do domicílio de referência atende ao melhor interesse do menor.
Thiago Brennand recebeu nova condenação
A decisão ocorre após Thiago Brennand ser condenado, em primeira instância, pela Justiça de São Paulo a 31 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão, além de 3 anos, 2 meses e 6 dias de detenção, por crimes praticados contra uma ex-companheira.
A vítima afirmou ter sofrido agressões, ter um vídeo íntimo divulgado sem consentimento e ter sido obrigada a tatuar as iniciais do empresário.
Em entrevista ao Fantástico, em 2022, ela relatou que encontrou um tatuador à sua espera na residência de Brennand, em Porto Feliz (SP), recusou o procedimento diversas vezes, mas acabou cedendo por medo.
Segundo o depoimento, funcionários presenciaram as recusas e, após a realização da tatuagem, Brennand tocava o local para provocar dor.
Pai diz que busca proteger o filho
Em nota, Amilton Augusto da Silva Júnior afirmou que não comentará detalhes do processo porque a ação tramita sob segredo de Justiça.
Ele declarou que adotou todas as medidas legais possíveis para proteger o filho.
“Em relação aos questionamentos que tenho recebido sobre o processo envolvendo a guarda do meu filho, esclareço que não posso fornecer detalhes, uma vez que a ação tramita sob segredo de justiça, medida que existe justamente para preservar a intimidade e o melhor interesse da criança.”
O pai acrescentou que seguirá respeitando o sigilo judicial e afirmou confiar na Justiça.
“Por respeito ao sigilo judicial e, principalmente, à preservação da criança, não farei outros comentários sobre o caso neste momento. No mais, sigo confiante na Justiça e fazendo o que entendo ser o melhor para o meu filho.”
Fonte: G1



