Há mais de uma década circula a informação de que Lionel Messi teria Síndrome de Asperger ou faria parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA), supostamente relacionando essa condição ao talento do jogador. No entanto, a afirmação é falsa e nunca foi confirmada por qualquer diagnóstico médico.
Em entrevista ao gshow, o endocrinologista espanhol Diego Schwarzstein, responsável pelo tratamento de Messi durante a infância, quando o argentino atuava nas categorias de base do Barcelona, afirmou que o jogador nunca foi diagnosticado com autismo ou qualquer síndrome do espectro.
“Leo Messi é um cara completamente normal. Ele teve um problema de crescimento quando criança, e é o maior jogador de futebol de todos os tempos. Não sei de onde surgiu essa história, mas é absolutamente falsa”, declarou o médico.
Segundo Schwarzstein, o problema de crescimento enfrentado por Messi foi justamente um dos fatores que motivaram sua mudança de Rosário, na Argentina, para a Espanha. Na época, o Barcelona assumiu os custos do tratamento hormonal do atleta. Atualmente, o camisa 10 mede 1,70 metro.

O médico afirmou que ainda mantém contato com a família do jogador e contou que comemorou a vitória histórica da Argentina sobre a Inglaterra, resultado que garantiu a classificação da seleção argentina para mais uma final de Copa do Mundo, na qual enfrentará a Espanha no domingo (19).
A origem da fake news remonta a 2013, quando o jornalista brasileiro Roberto Amado, sobrinho do escritor Jorge Amado e filho de um neuropediatra, publicou um artigo afirmando que Messi teria sido diagnosticado, aos 8 anos de idade, com Síndrome de Asperger, condição que integra o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista.
Na época, Roberto Amado afirmou que existiriam “registros na internet” sobre o suposto diagnóstico e declarou que, caso tivesse cometido alguma imprudência, assumiria a responsabilidade.
“Não preciso provar nada para ninguém. Se ele quiser me processar, que vá provar na Justiça. Há dois anos que falo isso porque eu conheço o olhar e as pessoas envolvidas nessa questão. Não é demérito nenhum ter autismo”, disse o jornalista em entrevista ao jornal Extra.
A falsa informação ganhou repercussão internacional e chegou a ser comentada por Romário em publicações feitas no antigo Twitter. O ex-jogador escreveu três mensagens sobre o assunto e, na última delas, informou que Jorge Horacio Messi, pai e empresário do craque argentino, havia entrado em contato para avisar que poderia processá-lo caso continuasse divulgando a informação.
Embora essas publicações não estejam mais disponíveis no perfil de Romário, registros em imagens das postagens ainda circulam na internet.
Especialistas apontam alguns fatores que explicam a permanência da fake news. O primeiro é que a informação falsa teve muito mais alcance do que os esclarecimentos posteriores, tornando-se parte do imaginário popular.
Outro motivo é a associação equivocada entre pessoas autistas e habilidades extraordinárias, frequentemente reforçada por produções culturais. Messi chegou a ser comparado ao personagem Raymond Babbitt, interpretado por Dustin Hoffman no filme “Rain Man”. No entanto, o personagem possui Síndrome de Savant, uma condição rara que não integra o Transtorno do Espectro Autista.
Também contribui para a disseminação da falsa narrativa o comportamento mais reservado do jogador. Em entrevistas recentes, Messi afirmou que se considera uma pessoa “estranha” e que costuma permanecer em momentos de reclusão, dos quais poucas pessoas conseguem tirá-lo, entre elas seu filho Mateo e sua esposa, Antonela.
Além disso, vídeos mostrando comportamentos espontâneos de Messi durante partidas, treinamentos e momentos da vida pessoal passaram a viralizar nas redes sociais, reforçando, de forma equivocada, a falsa associação entre o jogador e o autismo.
Fonte: GSHOW



