Furinhos no queijo branco podem indicar contaminação? Especialista explica quando é sinal de alerta

Os chamados “furinhos” nos queijos, conhecidos tecnicamente como olhaduras, fazem parte das características naturais de alguns tipos de queijo. No entanto, quando aparecem em variedades que normalmente possuem massa lisa, como o queijo branco, eles podem indicar problemas de contaminação e merecem atenção.

Segundo o médico patologista André Mario Doi, coordenador médico do setor de Biologia Molecular e Técnicas Especiais do Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), as olhaduras podem surgir tanto por um processo normal de fermentação quanto pela ação de microrganismos indesejáveis.

Nos queijos emmental, maasdam, gruyère, queijo prato bola e gouda, os furos são esperados. Essas cavidades se formam durante a fermentação pela produção de gases, fazem parte do processo de maturação e contribuem para a textura e o sabor do alimento.

Já no queijo branco e em outros tipos que normalmente não apresentam olhaduras, a presença de muitos furos pode indicar falhas no processo de fabricação ou contaminação.

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De acordo com André Mario Doi, alguns sinais devem servir de alerta:

  • Furinhos em queijos que normalmente possuem massa uniforme, como o queijo branco;
  • Cavidades numerosas e irregulares acompanhadas de embalagem estufada;
  • Alterações de odor, sabor, textura ou coloração.

Essas mudanças podem ocorrer devido ao crescimento de microrganismos indesejáveis, incluindo bactérias do grupo dos coliformes, que podem indicar falhas de higiene durante a produção ou contaminação após o processamento.

O especialista explica ainda que bactérias do gênero Clostridium podem provocar o chamado estufamento tardio, caracterizado pela formação de grandes cavidades, rachaduras na massa e odor desagradável. Embora esse tipo de bactéria geralmente comprometa a qualidade do produto, algumas espécies, como o Clostridium botulinum, representam risco à saúde em determinados alimentos, embora sua presença em queijos maturados seja considerada rara.

Além das bactérias, leveduras e outros microrganismos fermentadores também podem provocar formação anormal de gases no queijo.

Apesar disso, André Mario Doi ressalta que apenas a presença de furinhos não é suficiente para confirmar uma contaminação.

“É importante destacar que a presença de furinhos isoladamente não permite afirmar que exista uma infecção ou contaminação perigosa. A confirmação depende de avaliação microbiológica e das características do produto”, afirma.

Caso haja suspeita de contaminação, a orientação é não consumir o queijo, principalmente se ele apresentar odor desagradável, embalagem estufada, mofo inesperado — em queijos que não são maturados por fungos —, além de alterações importantes na textura ou no sabor.

O especialista também recomenda guardar a embalagem para identificação do lote e entrar em contato com o fabricante. Se o produto foi adquirido recentemente, o consumidor pode solicitar a substituição ou o reembolso.

Em caso de sintomas após o consumo, como diarreia, vômitos, febre ou dor abdominal, a recomendação é procurar atendimento médico, especialmente quando os pacientes forem crianças, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas.

No Brasil, a produção de queijos é fiscalizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelos serviços estaduais e municipais de inspeção. Além disso, muitas indústrias utilizam o sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) para identificar e prevenir riscos durante todo o processo de fabricação.

Fonte: OGLOBO