Homem investigado por filmar mulheres em banheiro já havia cometido o mesmo crime em Santos

O homem de 21 anos investigado por esconder um celular em um banheiro feminino de um prédio comercial em Santos, no litoral de São Paulo, para gravar mulheres, já havia sido investigado pelo mesmo tipo de crime em 2024. Na ocasião, um aparelho foi encontrado escondido no banheiro de uma unidade de uma rede de fast food localizada na cidade.

Nos dois casos, o investigado foi liberado após prestar esclarecimentos na delegacia. Segundo apuração do g1 junto à Polícia Civil nesta sexta-feira (17), o crime de registro não autorizado da intimidade sexual normalmente não resulta em prisão, pois a pena prevista varia de seis meses a um ano de detenção, além de multa, ficando abaixo do limite de quatro anos que permite, em determinadas situações, a prisão em flagrante.

No episódio de 2024, o homem foi conduzido à delegacia após denúncia de que havia escondido um celular no banheiro de uma rede de fast food no bairro Aparecida. A Polícia Civil não divulgou a identidade do investigado, o que impossibilitou localizar sua defesa até a última atualização da reportagem.

O caso mais recente ocorreu no banheiro destinado a mulheres com deficiência de um prédio comercial, também localizado no bairro Aparecida. Duas mulheres encontraram um celular escondido sob a pia, com a câmera direcionada para o vaso sanitário.

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Após o registro do boletim de ocorrência pelas vítimas na semana passada, o 3º Distrito Policial de Santos iniciou a investigação. Imagens de câmeras de monitoramento permitiram identificar o suspeito entrando no banheiro onde o aparelho foi localizado.

Durante depoimento, o homem confirmou ser o proprietário do celular e informou que realiza acompanhamento psicológico e psiquiátrico devido ao comportamento voyeurístico, caracterizado pelo prazer sexual em observar pessoas nuas, se despindo, praticando atos sexuais ou em situações de intimidade sem o conhecimento delas.

Segundo o investigado, anos de consumo excessivo de pornografia fizeram com que ele desenvolvesse atração sexual por observar a intimidade de terceiros. Ele afirmou ainda que busca controlar os impulsos por meio de tratamento especializado.

O homem também declarou à polícia que não se recorda de como o celular foi parar no banheiro, alegando que faz uso de medicamentos psiquiátricos que podem provocar lapsos de memória e episódios de amnésia parcial.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, o delegado Wagner Camargo Gouveia afirmou que as imagens de segurança registraram o investigado entrando mais de uma vez no banheiro feminino.

“No próprio celular, tem horas de vídeos e outras vítimas até para serem identificadas, [além das duas que registraram o BO]”, afirmou o delegado.

A Polícia Civil agora apura se as gravações eram destinadas apenas à satisfação pessoal do investigado ou se havia intenção de comercializar o material em sites de pornografia.

Na terça-feira (14), policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão no prédio comercial e na residência do investigado. Conforme o boletim de ocorrência, foram apreendidos um celular, um computador, um notebook e quatro simulacros de arma de fogo.

Ainda de acordo com o documento, o investigado forneceu as senhas dos equipamentos, autorizando o acesso aos arquivos, a extração de dados e a realização das perícias técnicas necessárias para o esclarecimento do caso.

Em nota, a administração do prédio comercial confirmou apenas o cumprimento da ordem judicial em suas dependências.

Fonte: G1