Condenado pela sexta vez por crimes de violência contra mulheres, o empresário pernambucano Thiago Antônio Brennand Tavares da Silva Fernandes Vieira já soma mais de 54 anos de prisão em regime fechado em pelo menos quatro processos que tramitam na Justiça de São Paulo. As condenações envolvem diferentes crimes praticados contra mulheres.
Além dessas decisões, Brennand foi condenado em primeira instância em outros dois processos, mas acabou absolvido pela 2ª instância do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os casos seguem em fase de recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, juntos, representam outros 16 anos de pena que haviam sido fixados pelos juízes de primeira instância.
A condenação mais recente foi proferida na segunda-feira (13), pela Justiça de Porto Feliz, no interior paulista. O empresário foi sentenciado a 31 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão, além de 3 anos, 2 meses e 6 dias de detenção, pelos crimes cometidos contra uma ex-companheira.
Na mesma decisão, o magistrado determinou o pagamento de R$ 100 mil à vítima a título de reparação por danos civis. A sentença ainda cabe recurso.

O caso ocorreu em 2022 e ganhou repercussão após a vítima relatar ao Fantástico, da TV Globo, que sofreu agressões, estupro, ameaças de morte e teve um vídeo íntimo divulgado sem seu consentimento. Ela também afirmou ter sido obrigada por Brennand a tatuar as iniciais dele em seu corpo.
Após o relato, outras mulheres passaram a denunciar o empresário. Atualmente, Thiago Brennand responde a nove processos na Justiça. Em pelo menos dois deles, houve condenação em primeira instância, posteriormente revertida pelos desembargadores do TJ-SP.
Brennand cumpre pena na Penitenciária II Álvaro de Carvalho, localizada em Potim, no interior de São Paulo.
Durante o período em que está preso, o empresário se casou com sua advogada de defesa, Karina de Paula Kufa. Após o casamento, ela perdeu provisoriamente a guarda do filho.
Em nota, a advogada, que agora assina como Karina Kufa Brennand, afirmou que as absolvições obtidas representam o “reconhecimento da verdade dos fatos”. Segundo ela, espera que os demais processos em que o empresário também é acusado de estupro tenham o mesmo desfecho após análise das provas.
“Recebemos a absolvição com confiança na Justiça e no reconhecimento da verdade dos fatos. A decisão reforça que acusações precisam estar amparadas em provas e depoimentos consistentes. A isolada palavra da mulher não deve sustentar uma acusação, ainda mais sob a forte suspeita de conluio para fins escusos. Seguimos confiantes de que, nos demais casos, a análise criteriosa das provas demonstrará a inexistência de prática criminosa”, declarou Karina.
O g1 informou que procurou a advogada para comentar a nova condenação do marido, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.
Entre as condenações mantidas pela Justiça estão a pena de 10 anos e 6 meses de prisão por estupro de uma mulher norte-americana. Em 2025, o TJ-SP reduziu a pena, mas manteve a condenação. Em 2026, o Superior Tribunal de Justiça restabeleceu a pena original de 10 anos e 6 meses.
Brennand também foi condenado a 1 ano e 8 meses de prisão pela agressão contra a modelo Helena Gomes, em uma academia de São Paulo. A decisão foi mantida pela Justiça.
Em outro processo, foi condenado a 10 anos e 6 meses de prisão por estupro cometido com emprego de violência física e grave ameaça, sentença proferida em 2024.
Já na condenação mais recente, em Porto Feliz, a Justiça fixou pena de 31 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão, em regime fechado, além de 3 anos, 2 meses e 6 dias de detenção, em regime aberto, pelos crimes de agressão, estupro, ameaças e por obrigar a vítima a tatuar suas iniciais.
Nos dois casos em que acabou absolvido na segunda instância, Brennand havia sido condenado em primeira instância a 8 anos de prisão por estupro contra uma massagista e a outros 8 anos pelo estupro da estudante de medicina Stefanie Cohen. Ambos os processos seguem em fase de recursos no STJ.
Fonte: G1



