A comemoração da Espanha após a conquista da Copa do Mundo, com vitória por 1 a 0 sobre a Argentina na final, ganhou destaque por um detalhe curioso. Durante a cerimônia de entrega da taça, diversos jogadores subiram ao pódio usando bandeiras diferentes da tradicional vermelha e amarela que representa o país.
O único gol da decisão foi marcado por Ferran Torres, mas, além do resultado dentro de campo, as bandeiras escolhidas pelos atletas despertaram a curiosidade do público. Em vez da bandeira nacional, muitos optaram por representar as comunidades autônomas ou até mesmo suas cidades de origem.
A escolha está diretamente ligada à formação histórica da Espanha. O país surgiu da unificação de diferentes reinos entre os séculos XV, XVI e XVII, processo consolidado em 1715. Apesar da existência de um Estado unificado, as regiões preservaram identidades culturais e históricas próprias.
Com a redemocratização após o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1978, o Reino da Espanha passou a ser composto por 17 comunidades autônomas e duas cidades autônomas, estrutura criada para reconhecer reivindicações históricas e culturais das diferentes regiões.

Cada comunidade possui uma bandeira oficial, e foram esses símbolos que muitos jogadores decidiram exibir durante a celebração do título. Entre eles, Pedri utilizou a bandeira das Ilhas Canárias, Ferran Torres vestiu a da Comunidade Valenciana e Borja Iglesias escolheu a bandeira da Galícia.
Alguns atletas preferiram representar suas cidades natais, mesmo quando elas não possuem status de comunidade autônoma. Foi o caso de Dani Olmo, que usou a bandeira de Terrassa, e de Alex Baena, que levou a de Roquetas de Mar.
Nem todas as regiões espanholas, porém, aceitam plenamente o atual modelo de organização territorial. País Basco e Catalunha concentram os movimentos separatistas mais conhecidos e mantêm uma identidade regional bastante forte, frequentemente em contraste com a identidade nacional espanhola.
Na Catalunha, por exemplo, existe uma bandeira ligada à República Catalã, diferente da utilizada oficialmente pela comunidade autônoma. O símbolo é frequentemente visto nas arquibancadas dos jogos do Barcelona e, em determinados períodos, chegou a ser proibido em partidas de competições nacionais disputadas na Espanha.
Atualmente, a Espanha é formada pelas comunidades autônomas de Andaluzia, Aragão, Principado das Astúrias, Ilhas Baleares, Ilhas Canárias, Cantábria, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Catalunha, Comunidade Valenciana, Extremadura, Galícia, La Rioja, Comunidade de Madrid, Região de Múrcia, Navarra e País Basco, além das cidades autônomas de Ceuta e Melilla.
Fonte: GE



