Os Houthis, grupo extremista que atua no Iêmen, anunciaram nesta segunda-feira (20) um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita. A decisão foi divulgada em comunicado oficial pelo porta-voz militar do movimento, Yahya Saree, que classificou o país vizinho como um “inimigo criminoso” e afirmou que a medida entra em vigor imediatamente.
Segundo Saree, o embargo é uma resposta ao que o grupo considera um bloqueio imposto por Riad ao Iêmen ao longo dos últimos 12 anos.
“Os Houthis declaram um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na lei de ‘olho por olho’, com efeito imediato após a emissão desta declaração”, afirmou o porta-voz.
Ele acrescentou que a medida responde ao “cerco injusto e opressivo contínuo da Arábia Saudita contra nosso querido povo por quase 12 anos, saqueando nossos recursos e impondo um bloqueio abrangente a nossos portos e aeroportos por terra, mar e ar”.

O anúncio ocorre poucos dias após informações divulgadas pela agência Reuters indicarem que os Houthis estavam em estado de alerta para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos atacassem a infraestrutura energética do Irã. Segundo três fontes ouvidas pela agência, essa possibilidade vinha sendo discutida desde a última quinta-feira (16).
Os bombardeios norte-americanos ocorreram na noite de domingo (19) e atingiram diversos pontos da cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã, onde está localizada a única usina nuclear civil do país, segundo informou a agência estatal iraniana Irna.
Também nesta segunda-feira, o governo iraniano pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenasse os ataques dos Estados Unidos, afirmando que uma das instalações atingidas foi a usina nuclear de Darkhovin, ainda em construção no sudoeste do país.
De acordo com duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte próxima aos Houthis, ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato, a possibilidade de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb foi debatida entre autoridades iranianas e representantes do grupo rebelde.
A fonte ligada aos Houthis afirmou que os preparativos para atacar embarcações já estavam concluídos e que mísseis e drones haviam sido posicionados nas proximidades da rota marítima.
Segundo o mesmo relato, integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que já estariam presentes no Iêmen, seriam responsáveis por decidir o momento de um eventual fechamento do estreito.
Com o Estreito de Ormuz já fechado, uma ofensiva dos Houthis contra navios ou portos no Mar Vermelho afetaria simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, ampliando a crise energética e a tensão no conflito envolvendo Irã e Estados Unidos.
O Irã considera os Houthis parte do chamado “Eixo da Resistência”, aliança regional que também reúne o Hezbollah, no Líbano, e grupos armados xiitas do Iraque. Apesar disso, os rebeldes iemenitas ainda não ingressaram formalmente no conflito entre Teerã e Washington.
Os Estados Unidos acusam o Irã de fornecer armas, treinamento e recursos financeiros aos Houthis, enquanto o governo iraniano nega essas acusações.
Na última quinta-feira (16), o líder do grupo, Abdul Malik al-Houthi, já havia ameaçado atacar instalações estratégicas da Arábia Saudita caso Riad participasse da guerra entre Irã e Estados Unidos. Segundo ele, refinarias, infraestrutura petrolífera e outros alvos considerados vitais poderiam ser atingidos por mísseis e drones.
Na segunda-feira (13), os Houthis também lançaram mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob controle do grupo, rompendo uma trégua de quatro anos entre as duas partes.
Fonte: G1



