Justiça pode obrigar Betano e Adriane Galisteu a apresentar contrato em ação sobre publicidade de apostas

A ação judicial movida por Eliudson de Lima Silva contra a Betano, a influenciadora Virginia Fonseca e a apresentadora Adriane Galisteu ganhou novos desdobramentos. Em manifestação protocolada no último dia 8, o autor apresentou novos pedidos à Justiça, incluindo a exibição do contrato publicitário firmado entre Adriane Galisteu e a Kaizen Gaming, empresa responsável pela operação da Betano.

O caso tramita desde junho de 2025 e discute a responsabilidade da plataforma de apostas e das personalidades que participaram de campanhas publicitárias da empresa.

Na nova manifestação, Eliudson contestou a defesa apresentada por Adriane Galisteu. A apresentadora alegou que sua parceria com a Betano teve início apenas meses depois das apostas realizadas pelo autor, argumento que, segundo ela, afastaria qualquer responsabilidade pelos prejuízos alegados.

O autor, no entanto, sustenta que somente a apresentação do contrato de publicidade poderá comprovar exatamente o período da contratação e esclarecer os termos da parceria entre Galisteu e a empresa.

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Além de confirmar as datas da relação comercial, Eliudson pretende verificar se a remuneração da apresentadora estava vinculada ao prejuízo obtido pelos apostadores. Segundo ele, caso essa hipótese seja confirmada, haveria indícios de publicidade abusiva por parte da plataforma.

Na petição, o autor afirma que esse tipo de remuneração já foi mencionado publicamente durante depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets.

Outro ponto importante da nova manifestação foi a mudança da tese jurídica inicialmente apresentada pelo autor.

Na petição original, Eliudson sustentava que a atividade exercida pela Betano seria ilícita. Após a defesa de Adriane Galisteu destacar que as apostas esportivas são autorizadas e regulamentadas no Brasil, o autor reconheceu a legalidade da operação da empresa.

Mesmo assim, ele mantém a acusação de que Betano, Virginia Fonseca e Adriane Galisteu teriam descumprido as regras de publicidade responsável ao apresentar as apostas como uma oportunidade de investimento e uma alternativa para solucionar dificuldades financeiras.

O autor também requereu à Justiça a realização de uma perícia médica para verificar a relação entre as apostas e os problemas psiquiátricos que afirma ter desenvolvido após perder dinheiro na plataforma.

Além disso, solicitou uma perícia técnica na plataforma Betano para esclarecer seu funcionamento.

Outro desdobramento do processo foi a redução do valor da causa. Inicialmente fixado em R$ 324 mil, o montante foi revisado para aproximadamente R$ 118 mil após o autor reconhecer que o valor anterior não correspondia ao prejuízo efetivamente comprovado.

Segundo os autos, Eliudson afirma ter sido influenciado pelas campanhas publicitárias de Virginia Fonseca e Adriane Galisteu a apostar na Betano com a expectativa de multiplicar o dinheiro que havia guardado para comprar uma casa própria.

De acordo com a ação, ele investiu R$ 56 mil na plataforma.

O autor relata que, após perder o valor, contraiu empréstimos na tentativa de recuperar o dinheiro, sem sucesso. Desempregado na época, afirma ter desenvolvido graves problemas de saúde e sustenta que a plataforma foi estruturada para incentivar apostas sucessivas mediante promessas de ganhos, mantendo os usuários em um ciclo contínuo de perdas.

Na ação, Eliudson atribui responsabilidade às duas personalidades por associarem suas imagens à publicidade da Betano. Em relação a Virginia Fonseca, ele afirma que a influenciadora divulgava as apostas como uma forma simples e segura de enriquecimento e cita seu depoimento prestado à CPI das Bets. Adriane Galisteu foi incluída no processo por atuar como embaixadora da plataforma.

Fonte: G1

Fonte: METRÓPOLES