Pacientes com diabetes têm enfrentado dificuldades para obter insulina e seringas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital paulista. Levantamento da TV Globo identificou relatos de falta de insulina em pelo menos sete unidades localizadas nas zonas Norte e Sul da cidade. Segundo moradores, o desabastecimento ocorre há cerca de um mês e tem levado parte dos pacientes a comprar o medicamento com recursos próprios.
Entre os casos está o do neto de 9 anos da vendedora Patrícia Dias. Diagnosticado com diabetes tipo 1, o menino depende do uso contínuo de insulina NPH para controlar a doença.
A avó contou que procurou diversas vezes a UBS/AMA Massagista Mário Américo, na Zona Norte, mas não conseguiu retirar o medicamento.
“Eles olham a receita e falam que não tem. O que faz falta é uma previsão. Poderiam dizer quando vai chegar ou em qual unidade tem”, afirmou.

Segundo Patrícia, o neto precisa aplicar a insulina ao acordar, antes do almoço e antes do jantar. O medicamento substitui a insulina que normalmente seria produzida pelo pâncreas, mas que o organismo da criança não fabrica.
Ela alerta que a interrupção do tratamento pode trazer consequências graves. “A vida dele depende desse medicamento. Sem a insulina, ele pode até entrar em coma.”
Durante a apuração, a TV Globo registrou relatos de falta de insulina nas seguintes unidades: UBS Cruz das Almas, UBS Jardim Guanabara, UBS Vila Santa Maria, AMA/UBS Lauzane Paulista, UBS/AMA Massagista Mário Américo, UBS Vila Ramos, todas na Zona Norte, além da UBS Vila Canaã, na Zona Sul.
Moradores também informaram que, em algumas unidades, conseguem retirar a insulina, mas não recebem as seringas necessárias para a aplicação do medicamento.
Sem acesso aos insumos na rede pública, alguns pacientes afirmam que passaram a custear o próprio tratamento. Segundo os relatos, cada seringa custa cerca de R$ 3,90, enquanto um frasco de insulina NPH custa aproximadamente R$ 80 e tem duração média de 20 dias, dependendo da dosagem prescrita.
Os pacientes também afirmam que, quando encontram o medicamento disponível, muitas vezes precisam se deslocar para outras unidades da rede para conseguir retirar a insulina.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que houve faltas pontuais em três Unidades Básicas de Saúde, mas afirmou que o abastecimento foi mantido por meio do remanejamento de medicamentos entre as unidades da rede.
A pasta declarou ainda que oscilações no estoque podem ocorrer em períodos de maior demanda e informou que a reposição dos medicamentos nas unidades será iniciada nesta terça-feira, antes do prazo inicialmente previsto.
Sobre a falta de seringas, a Prefeitura reconheceu problemas em algumas UBSs e informou que está realizando o remanejamento dos insumos para normalizar a distribuição.
Fonte: G1



