Coronéis da PM de SP são citados em investigação sobre banco clandestino ligado ao PCC

Integrantes da alta cúpula da Polícia Militar de São Paulo foram citados na investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que apura um suposto banco clandestino usado para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação contra a rede financeira foi deflagrada nesta terça-feira (21/7), mas os policiais mencionados não foram alvos da ação.

Entre os nomes que aparecem nos documentos estão os coronéis Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício. As citações surgiram após investigadores analisarem materiais apreendidos, como áudios e planilhas financeiras, que indicaram proximidade entre suspeitos e oficiais da corporação, além de registros de repasses de dinheiro em espécie.

Segundo o MPSP, os empresários Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, apontados como figuras centrais da investigação, mantinham relações próximas com integrantes do alto comando da Polícia Militar. De acordo com os investigadores, essa ligação teria sido utilizada para facilitar o acesso à corporação, obter proteção e atender interesses do grupo investigado.

Mensagens analisadas durante a apuração mostram conversas em que os suspeitos mencionam influência e acesso direto a comandantes e diretores da PM paulista.

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Investigação aponta “banco paralelo” para movimentar dinheiro do PCC

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tem como alvo uma estrutura financeira apontada pelo Ministério Público como uma espécie de “banco paralelo” utilizado por criminosos.

De acordo com as investigações, os operadores recebiam grandes volumes de dinheiro em espécie e reinseriam os valores no sistema financeiro por meio de transferências eletrônicas realizadas por empresas criadas para dar aparência de legalidade aos recursos.

Entre os supostos beneficiários da estrutura está Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moja ou Léo do Moinho, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças do PCC em São Paulo.

A investigação indica que ele utilizava os operadores financeiros para comprar bens sem associar diretamente seu nome às negociações e para justificar a posse de grandes quantias em dinheiro vivo.

O Gaeco afirma ainda que a estrutura não teria sido utilizada apenas para lavagem de dinheiro. Segundo o órgão, o esquema também era acionado para atender interesses da facção em negociações privadas, incluindo uma disputa relacionada a imóveis de alto padrão na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.

Justiça bloqueia até R$ 10 milhões em bens dos investigados

Como parte da operação, a Justiça autorizou o cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão contra suspeitos apontados como responsáveis por ocultar e movimentar recursos da facção por meio de empresas de fachada e operadores financeiros.

Além das prisões e buscas, foi determinado o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias, empresas e bens ligados aos investigados, com o objetivo de enfraquecer a estrutura financeira investigada pelo Ministério Público.

Fonte: METRÓPOLES