Influenciadora revela como organiza 10 relacionamentos e diz usar planilha para administrar a rotina

Rum Rabelo, criadora de conteúdo e dominatrix de 30 anos, compartilhou como administra dez relacionamentos simultaneamente e afirmou que utiliza uma planilha para organizar informações importantes sobre as pessoas com quem se relaciona. A influenciadora, que se identifica como uma pessoa de gênero fluido e diz não ter preferência por pronomes, aborda a não-monogamia para mais de 69 mil seguidores nas redes sociais.

Antes de adotar esse modelo de relacionamento, Rum viveu um casamento monogâmico durante dez anos. Segundo contou à GQ Brasil, o primeiro contato com a não-monogamia ocorreu durante uma sessão de tatuagem, quando conheceu um casal que mantinha um relacionamento aberto.

Na ocasião, ela viu uma mulher beijar a tatuadora na presença do marido dela e, ao questionar a situação, ouviu que todos eram não-monogâmicos e mantinham acordos sobre seus relacionamentos.

“Ela me explicou que eles tinham acordos, que essa menina era namorada dela e que ficava com o marido às vezes. E com ela me explicando essa rotina deles, eu fiquei chocado no sentido de ‘isso é possível?’. Quando saímos de lá, minha esposa só falava da tatuagem dela, e eu só conseguia pensar em não-monogamia”, relembrou.

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Após o fim do casamento, há oito anos, Rum passou a estudar o tema por meio de livros, pesquisas e conteúdos na internet. Ela afirma que, ao conhecer esse modelo de relacionamento, sentiu como se tivesse encontrado um lugar ao qual pertencia.

Atualmente, mantém três namoros considerados oficiais, sete vínculos afetivos e outros relacionamentos informais. A influenciadora conta, porém, que o processo de adaptação não foi simples e envolveu relações tóxicas e acordos malsucedidos durante os primeiros anos.

Segundo ela, hoje existe apenas uma regra comum entre todas as pessoas com quem se relaciona: a honestidade.

“Peço sempre que, independente do que aconteceu ou o quão estranho você se sentiu, me falem a verdade. Eu quero saber, porque se eu tiver esse sentimento de estar sendo enganada, é algo que não gosto, como um resquício da monogamia”, afirmou.

Para conseguir administrar a rotina, Rum criou um sistema de organização em um grupo no WhatsApp, onde registra informações como preferências alimentares, restrições e alergias de cada parceiro.

Ela explica que a ideia surgiu de sua atuação como dominatrix, já que no BDSM é necessário negociar previamente limites e preferências para garantir práticas seguras.

“Como exemplo, quando uma delas vem tomar café da manhã na minha casa, sei que uma é alérgica a mel, outra não gosta de mel e outra ama mel. Para saber quem é quem, consulto a planilha, porque tenho TDAH e sou ser humano. É uma forma que achei de manter o controle e agradar todo mundo”, explicou.

Rum afirma que organiza seus encontros de acordo com sua agenda de trabalho, faculdade e tarefas domésticas. Segundo ela, os relacionamentos não ocupam o centro de sua rotina, mas são encaixados conforme a disponibilidade de todos.

Ela também destaca que as pessoas com quem se relaciona se conhecem, convivem de forma harmoniosa e, em muitos casos, desenvolveram amizades. Isso faz com que encontros em grupo sejam frequentes e facilite a organização da rotina.

De acordo com a influenciadora, situações de ciúmes acontecem apenas em circunstâncias pontuais, como quando alguém prefere que uma série assistida em conjunto não seja vista com outra pessoa. Quando surgem conflitos mais relevantes, ela afirma que todos procuram conversar para entender a origem do sentimento.

Rum diz estar satisfeita com a dinâmica atual e acredita que a não-monogamia trouxe uma nova perspectiva sobre os relacionamentos.

“Atualmente estou muito feliz com minhas relações, porque temos funcionado super bem. Como eu vivi um longo relacionamento monogâmico, sei que isso não é para mim. Então a não-monogamia não só funciona muito bem para mim, como me faz muito feliz”, declarou.

Para ela, a principal lição foi compreender que o amor pode existir entre diferentes pessoas sem que uma relação substitua a outra.

“O amor não se substitui, se soma. A não-monogamia me ensinou que ninguém precisa suprir todas as necessidades do outro. Isso tirou das minhas costas um peso ansioso muito grande. Agora consigo viver as relações sem a preocupação do medo do abandono, do medo de não ser suficiente”, concluiu.

Fonte: GQ