Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram como “graves” e “absurdas” as declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sobre as urnas eletrônicas brasileiras. As críticas ocorreram após o parlamentar afirmar que os equipamentos utilizados no Brasil teriam a mesma origem das urnas usadas na Venezuela e mencionadas em um relatório da CIA sobre supostas fraudes eleitorais.
Ao blog, o ministro Gilmar Mendes rebateu as declarações e afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é plenamente confiável. “Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, declarou. Para o magistrado, utilizar relatórios de outros países para levantar dúvidas sobre as urnas brasileiras configura uma interferência indevida.
Outros ministros do STF ouvidos pela reportagem destacaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu, em ocasiões anteriores, as alegações que voltaram a circular. Segundo eles, as informações foram amplamente disseminadas no passado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro com o objetivo de sustentar a narrativa de que o sistema eleitoral brasileiro seria vulnerável a fraudes.
Na avaliação desses integrantes da Corte, Flávio Bolsonaro não deveria levantar suspeitas sobre um tema que, segundo o TSE, já foi esclarecido. Os ministros também apontaram semelhanças entre o discurso adotado pelo senador e a reunião promovida por Jair Bolsonaro com embaixadores no Palácio da Alvorada, quando o então presidente fez questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro.

Após a repercussão das declarações, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que o pré-candidato não colocou em dúvida a confiabilidade do sistema de votação do Brasil. O texto sustenta que ele apenas mencionou um relatório da CIA sobre supostas fraudes nas eleições da Venezuela e ressaltou que não questionou as urnas eletrônicas brasileiras.
A nota, entretanto, não aborda a declaração em que Flávio Bolsonaro afirma que as urnas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic, mencionada no relatório citado. Na noite de terça-feira (21), o Tribunal Superior Eleitoral voltou a refutar essa informação.
As declarações ocorrem em um momento de dificuldades para a pré-campanha do senador, que enfrenta uma crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ainda busca definir o nome que ocupará a vaga de candidato a vice-presidente na chapa do PL.
Fonte: G1



