Anuário revela as cidades e estados mais violentos do Brasil; Nordeste domina ranking

As dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas do Brasil estão localizadas no Nordeste, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento mostra que cinco desses municípios ficam na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba.

Pelo segundo ano consecutivo, Maranguape, no Ceará, ocupa a liderança entre as cidades mais violentas do país. O município registrou taxa de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, acima dos 80 casos por 100 mil habitantes contabilizados em 2024, sendo a única cidade brasileira a ultrapassar a marca de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes.

Entre as cinco primeiras colocadas do ranking, três são baianas. Eunápolis aparece em segundo lugar, com taxa de 85,1 mortes por 100 mil habitantes. Porto Seguro ocupa a quarta posição, com 71,2, enquanto Simões Filho figura em quinto lugar, com índice de 68,1.

O anuário considera como mortes violentas intencionais os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes provocadas por policiais.

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O estudo também disponibiliza a relação completa das taxas de mortes violentas dos 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.

Entre os estados, o Amapá permanece como o mais violento do Brasil, apesar de registrar redução de 6% na taxa de mortes violentas entre 2024 e 2025. O índice caiu de 45,2 para 42,5 mortes por 100 mil habitantes.

A Bahia segue na segunda posição, com queda de 10% na taxa, que passou de 40,7 para 36,8 mortes por 100 mil habitantes. Em terceiro lugar aparece o Ceará, que reduziu o índice em 7,5%, de 37,5 para 34,7.

Na outra ponta do ranking, Santa Catarina passou a ocupar a posição de estado menos violento do país, com taxa de 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. O estado substituiu São Paulo, que liderava esse indicador desde 2014 e registrou taxa de 7,8 mortes por 100 mil habitantes em 2025.

O levantamento aponta ainda que 19 estados e o Distrito Federal reduziram as taxas de mortes violentas, enquanto sete unidades da federação registraram aumento no período analisado.

Além dos rankings, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 destaca que o Brasil registrou 40.775 vítimas de assassinatos, uma queda de 8% em relação a 2024 e o menor número desde o início da série histórica do Fórum, em 2012. Pela primeira vez, a taxa nacional de mortes violentas ficou abaixo de 20 por 100 mil habitantes, atingindo 19,1, também o menor índice já registrado.

Apesar da redução geral da violência letal, o país bateu recorde de feminicídios em 2025. Em média, quatro mulheres foram mortas por dia. O estudo também identificou aumento em outros indicadores de violência contra a mulher, como violência psicológica (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). Segundo o levantamento, houve três tentativas de feminicídio para cada caso consumado no ano.

Outro dado destacado é o crescimento de 5% nas mortes provocadas por policiais, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%.

Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil aumentaram 25%, e os casos de bullying e cyberbullying entre jovens cresceram mais de 60%, cenário observado após a criação de um tipo penal específico para esses crimes em 2024.

O anuário mostra ainda que o número de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas caiu 54% nos últimos nove anos. Atualmente, são 12,2 mil jovens nessa condição, sendo 93% meninos, 74% negros e 76% com idade entre 16 e 18 anos. As infrações mais frequentes são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%).

Já a população prisional brasileira aumentou 6%, alcançando 964 mil pessoas. Mantida a tendência atual, o estudo projeta que o Brasil poderá ultrapassar a marca de 1 milhão de presos até 2027.

Em relação às armas de fogo, o levantamento informa que existem 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a possuir armamentos. Desse total, 1 milhão possui licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), enquanto há 1,6 milhão de armas cadastradas no país. O anuário ressalta que três em cada dez armas possuem registro vencido.