O governo brasileiro aguarda a definição dos Estados Unidos sobre uma nova sobretaxa adicional de 12,5% que pode atingir produtos de diversos países, incluindo o Brasil, antes de concluir o plano de reação ao tarifaço americano. A medida poderá se somar à tarifa de 25% já aplicada pelos EUA sobre parte das exportações brasileiras.
A expectativa do governo é que os detalhes sobre a nova cobrança sejam anunciados na sexta-feira (25), incluindo informações sobre quais setores serão atingidos, se haverá exceções e se a taxa será acumulada com a sobretaxa já em vigor.
A nova tarifa está sendo analisada pelos Estados Unidos dentro de uma investigação sobre supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas.
Com o cenário de incerteza, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) prepara um plano de diversificação de mercados compradores, que será apresentado no início de agosto, em São Paulo. A estratégia prevê ações para ampliar negócios no exterior e também eventos no Brasil para aproximar empresas nacionais de novos compradores internacionais.

Os técnicos da Apex aguardam a decisão americana para definir a dimensão da medida e ajustar o plano de atuação. Entre os mercados considerados prioritários estão países da Europa, impulsionados pelo acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia, além de nações da Ásia.
O projeto terá investimento inicial de R$ 130 milhões, valor que poderá aumentar com aportes da iniciativa privada em projetos desenvolvidos em parceria com a agência.
Governo anuncia pacote de socorro de R$ 18,5 bilhões
Para reduzir os impactos das tarifas americanas e das instabilidades no comércio internacional, o governo federal anunciou um pacote de apoio de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas brasileiras afetadas.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, a terceira linha do programa Brasil Soberano será destinada não apenas às empresas prejudicadas pelas tarifas já adotadas e por conflitos geopolíticos, mas também àquelas que poderão ser afetadas pela nova cobrança relacionada ao trabalho forçado.
“A linha três do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado”, afirmou o ministro.
A nova fase do programa foi estruturada para atender empresas atingidas pela possível tarifa adicional de 12,5%, vinculada à investigação americana sobre importações produzidas com trabalho forçado.
Elias Rosa afirmou que a expectativa do governo brasileiro é que a nova taxa seja aplicada de forma “universal” para todos os setores. Na avaliação do ministro, a cobrança pode substituir a tarifa global adotada em fevereiro pelos Estados Unidos, após a Suprema Corte americana suspender o tarifaço baseado em leis de emergência.
O governo brasileiro também tenta evitar que a nova sobretaxa seja acumulada com a tarifa de 25% aplicada recentemente pelos Estados Unidos.
“Nós reivindicamos que não haja cumulatividade com a seção 301 da semana passada. Há uma indefinição. A tendência é que não haja lista de exceção, mas esperamos que não haja cumulatividade, senão nossa tarifa vai para 37,5%, mas esse cenário é absolutamente indefinido”, declarou o ministro.
Tarifa americana pode afetar US$ 5,8 bilhões em exportações brasileiras
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a tarifa adicional de 25% adotada pelo governo do presidente Donald Trump deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos.
O impacto estimado é de aproximadamente US$ 5,8 bilhões, considerando o volume de exportações previsto para 2025.
Além das empresas diretamente afetadas pelo tarifaço, o programa de apoio do governo também deve atender setores prejudicados por conflitos internacionais, principalmente aqueles que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
Também estão incluídas áreas consideradas estratégicas para a balança comercial e para a segurança produtiva do Brasil, como fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, setor automotivo, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.
Fonte: OGLOBO



