Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuaram nos bastidores para convencer a federação União Progressista (PP-União Brasil) a permanecer neutra, ao menos no primeiro turno da eleição presidencial, evitando uma aliança com o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Segundo interlocutores de Lula, a articulação foi conduzida em duas frentes: pelo ministro da articulação política, José Guimarães, e pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Guimarães, ex-líder do governo na Câmara e reconhecido pela interlocução com o Centrão, manteve conversas com os líderes do PP, deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), e do União Brasil, deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA). Paralelamente, Edinho Silva negociou diretamente com os presidentes das duas siglas.
O próprio presidente Lula também participou das articulações e conversou com dirigentes do PP e do União Brasil. As legendas, que até recentemente ocupavam ministérios no governo federal, foram procuradas para que não declarassem apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, movimento que ampliaria o tempo de propaganda eleitoral e os recursos destinados ao candidato do PL.

Durante as negociações, representantes do governo defenderam que a neutralidade da federação fortaleceria os palanques regionais alinhados ao presidente, especialmente nos estados do Nordeste. Outro ponto destacado foi a boa relação institucional entre os partidos e o governo federal, incluindo a participação das legendas na Esplanada dos Ministérios.
A valorização das disputas estaduais também foi um dos argumentos utilizados pelo PP e pelo União Brasil para justificar a decisão de permanecerem independentes no primeiro turno.
Sem apoiar um candidato à Presidência, a federação poderá concentrar recursos do Fundo Eleitoral nas campanhas estaduais, principalmente nas disputas para a Câmara dos Deputados, onde o PP tradicionalmente exerce influência na definição da presidência da Casa.
A neutralidade também produz reflexos na propaganda eleitoral. Como a federação União Progressista reúne o maior tempo de rádio e televisão entre os partidos, a ausência de apoio a um candidato altera a divisão do tempo de propaganda.
Nesse cenário, a redistribuição deixa de considerar o tamanho da federação, fazendo com que, proporcionalmente, o PT disponha de mais tempo no horário eleitoral gratuito. Já Flávio Bolsonaro deixa de contar com o tempo de televisão que teria caso recebesse o apoio da federação.
Fonte: G1



