O estado de São Paulo registrou um forte avanço dos casos de hepatite A em 2026. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que, apenas no primeiro semestre, foram contabilizados 1.880 casos da doença, número que já supera o total de 1.663 notificações registradas durante todo o ano de 2025.
O crescimento vem sendo observado de forma contínua nos últimos anos. Em 2022, o estado registrou 294 casos. Em 2023, o número subiu para 985. Em 2024, foram 1.176 ocorrências, chegando agora ao maior patamar da série recente.
Enquanto a hepatite A avança, os casos de hepatites B e C seguem trajetória de queda em São Paulo. A hepatite B passou de 2.488 registros em 2022 para 2.124 em 2025, redução de 14,6%. Já a hepatite C caiu de 3.405 para 2.722 casos no mesmo período, uma diminuição de 20,1%.
A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente pela via fecal-oral, geralmente associada à falta de higiene, deficiência de saneamento básico, consumo de água ou alimentos contaminados e também por transmissão sexual. A principal forma de prevenção é a vacinação.

As hepatites virais atingem o fígado e podem permanecer sem sintomas durante longos períodos. Quando surgem, os sinais mais frequentes incluem cansaço, mal-estar, febre, dores abdominais, náuseas, vômitos, urina escura e coloração amarelada na pele e nos olhos.
Segundo Alessandra Lucchesi, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria de Estado da Saúde, a hepatite A é atualmente a única das principais hepatites virais que apresenta crescimento consistente no estado.
De acordo com a especialista, diversos fatores contribuem para esse aumento, entre eles enchentes e enxurradas que favorecem a contaminação da água, ingestão de água e alimentos contaminados, compartilhamento de seringas e agulhas e práticas sexuais que possibilitam a transmissão fecal-oral.
Alessandra Lucchesi afirma que o número atual de casos já ultrapassa, inclusive, os registros observados durante a epidemia de hepatite A ocorrida em São Paulo em 2017.
“O que observamos é um aumento elevado do número de casos, que pode caracterizar um ano epidêmico para hepatite A”, afirmou.
Apesar da alta expressiva, a Secretaria de Estado da Saúde informou que ainda não classifica a situação como uma epidemia em todo o território paulista, já que o crescimento está concentrado em determinadas regiões, como Ribeirão Preto.
Na Grande São Paulo, Guarulhos é um dos municípios que mais preocupam as autoridades sanitárias.
Segundo a secretaria, a cidade notificou um surto de hepatite A neste ano, embora os dados mais recentes apontem tendência de redução no número de casos.
A Prefeitura de Guarulhos informou que o surto continua sendo monitorado e que ainda não é possível declarar oficialmente seu encerramento.
As investigações apontam uma forte associação entre os casos e uma possível contaminação da água. Entre as medidas adotadas estão o reforço da vigilância epidemiológica, orientação à população, investigação dos casos e vacinação seletiva dos contatos de pessoas infectadas.
A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário nacional de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) e é aplicada em dose única aos 15 meses de idade.
Também existe vacinação destinada a grupos específicos de adultos, como pessoas imunossuprimidas, transplantados e usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
Além da vacinação, especialistas recomendam medidas de prevenção como lavar as mãos antes das refeições e após utilizar o banheiro, consumir água de procedência conhecida e higienizar corretamente alimentos.
Durante a campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, municípios da Grande São Paulo intensificaram ações de prevenção, vacinação e testagem.
Em Diadema, a prefeitura realizou uma programação com 19 atividades ao longo do mês. Entre elas, uma roda de conversa voltada para manicures, profissionais que utilizam materiais perfurocortantes e podem colaborar na disseminação de informações sobre a prevenção das hepatites B e C.
Segundo a administração municipal, as ações têm como objetivo conscientizar a população sobre a importância da testagem, da vacinação e dos cuidados necessários para evitar a transmissão das hepatites virais.
Na capital paulista, a Secretaria Municipal da Saúde informou que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) reforçaram a oferta de exames para ampliar o diagnóstico precoce, principalmente das hepatites B e C, que frequentemente evoluem sem sintomas.
A pasta também reforça a vacinação contra a hepatite B, recomendada para todas as pessoas que ainda não foram imunizadas, independentemente da idade.
Fonte: G1



