Crise na campanha de Flávio Bolsonaro fortalece ofensiva de rivais da direita por eleitores bolsonaristas

As crises enfrentadas pela campanha do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vêm alterando o cenário da disputa pelo eleitorado de direita. Com o desgaste do parlamentar, adversários passaram a enxergar espaço para conquistar grupos que, até então, demonstravam forte alinhamento com o bolsonarismo.

Nos bastidores, as equipes de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) afirmam perceber maior receptividade entre empresários, representantes do agronegócio, lideranças religiosas e integrantes do Centrão.

A movimentação não se limita à tentativa de ampliar alianças políticas. Nos últimos dias, Caiado e Renan Santos intensificaram as críticas públicas direcionadas a Flávio Bolsonaro e a outros integrantes da família Bolsonaro, enquanto Zema passou a investir em encontros reservados com setores considerados estratégicos para ampliar sua base de apoio.

A mudança ocorre após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta semana, que apontou estabilidade de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. No entanto, um dos dados observados pelos adversários foi a redução do apoio entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas. Nesse grupo, a intenção de voto no senador caiu de 74% em maio para 54% neste mês.

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Entre os pré-candidatos, Ronaldo Caiado foi quem mais modificou sua estratégia política nas últimas semanas. Se anteriormente concentrava seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora passou a direcionar críticas ao senador e ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ofensiva ganhou força durante a repercussão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e também após declarações de Flávio Bolsonaro sobre o processo eleitoral durante um encontro com embaixadores.

Caiado afirmou que o senador desperdiçou a oportunidade de defender interesses econômicos do país ao priorizar o debate sobre urnas eletrônicas. Na quinta-feira, também ironizou a reconciliação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ao comentar: “Casos de família”.

Segundo o marqueteiro de Caiado, Paulo Vasconcelos, esse tom de confronto será mantido durante os debates eleitorais.

Enquanto isso, Romeu Zema tem ampliado agendas voltadas a segmentos tradicionalmente ligados ao bolsonarismo, como empresários, produtores rurais e lideranças religiosas. A avaliação de sua equipe é que esses grupos continuam simpáticos à família Bolsonaro, mas passaram a considerar alternativas dentro da direita diante do desgaste envolvendo Flávio.

O agronegócio ocupa posição central nessa estratégia. Após o anúncio das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Zema intensificou a participação em eventos do setor e ampliou reuniões com entidades ligadas ao campo. Na semana passada, também se reuniu com usineiros em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, afirmou que os conflitos internos da família Bolsonaro deveriam ter permanecido restritos ao ambiente privado.

“Está começando a ter um desgaste e, se isso não for contido, sem dúvida nenhuma, vai ter uma reversão desse processo (de apoio a Flávio)”, declarou.

Já Renan Santos adota um discurso mais direto na tentativa de conquistar o eleitorado bolsonarista.

“É uma candidatura que tinha que manter o legado do pai. O eleitor dele não está motivado”, afirmou.

Na noite de quarta-feira, após a divulgação de que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro foi contratado por uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu repasses do Banco Master, Renan utilizou as redes sociais para pedir que o senador desistisse da disputa presidencial.

“Por favor, pare de nos atrapalhar.”

Apesar do cenário de desgaste, o Partido Liberal não trabalha com a possibilidade de substituir Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto. A estratégia da legenda é tentar recuperar espaço político intensificando as críticas ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF), temas que o partido considera capazes de mobilizar sua base de apoiadores.

Fonte: CBN