As apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados realizadas pela Polícia Federal (PF) registraram forte crescimento em 2026. Apenas no primeiro semestre deste ano, o número de produtos apreendidos já ultrapassou mais que o dobro do total registrado durante todo o ano de 2025, evidenciando a expansão do mercado ilegal desses medicamentos no país.
De acordo com um levantamento inédito da Polícia Federal, entre janeiro e junho foram apreendidos 165.589 medicamentos emagrecedores — incluindo canetas, ampolas e frascos. Em todo o ano passado, o volume havia sido de 60.865 unidades, o que representa um aumento de 172%.
O mês de maio concentrou o maior número de apreensões, com 51.582 unidades retiradas de circulação. Segundo a PF, o crescimento desse tipo de ocorrência começou a ser observado a partir de setembro de 2025.
As apreensões foram resultado de fiscalizações, abordagens em rodovias e do cumprimento de mandados judiciais expedidos durante investigações conduzidas pela corporação.

Os estados com maior volume de apreensões foram Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Os três primeiros concentram importantes áreas de fronteira com países vizinhos, enquanto São Paulo é apontado como o principal mercado consumidor desses medicamentos.
Em nota, a Polícia Federal explicou que o contrabando segue uma logística estruturada, com entrada predominante pela fronteira terrestre com o Paraguai.
“O contrabando de medicamentos emagrecedores para o Brasil segue um padrão logístico estruturado, com entrada predominante pela fronteira terrestre com o Paraguai — especialmente na região da tríplice fronteira (Foz do Iguaçu) e em Mato Grosso do Sul —, de onde os produtos são transportados por rodovias já utilizadas pelo tráfico de drogas até grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro”, informou a corporação.
Segundo a PF, além das rotas terrestres, os criminosos utilizam o transporte aéreo para movimentar cargas menores entre diferentes cidades e também recorrem ao envio internacional pelos Correios, impulsionando a comercialização dos produtos por meio da internet.
“É uma cadeia híbrida que combina contrabando tradicional e logística digital para abastecer o mercado ilegal no país”, destacou a Polícia Federal.
Especialistas alertam que o consumo de medicamentos de origem desconhecida pode representar sérios riscos à saúde. A diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Karen de Marca, afirma que não há garantia sobre a composição dos produtos vendidos ilegalmente.
Segundo a médica, os medicamentos podem conter substâncias diferentes das informadas ou concentrações inadequadas do princípio ativo.
“A nossa principal preocupação é com a composição do medicamento, se existem misturas na composição daquele produto, a concentração. Porque, às vezes, é [realmente] aquele produto, porém ele está numa concentração diferente, ou seja, você pode estar tomando um produto com uma dose muito mais alta do que deveria utilizar. Isso pode aumentar o risco de efeitos adversos”, explicou.
Fonte: G1



