Aliados de Flávio Bolsonaro esperam novas sanções contra Alexandre de Moraes após decisão de Trump

A cúpula da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, avalia que o governo dos Estados Unidos pode adotar novas medidas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de prorrogar sanções relacionadas ao Brasil.

Segundo integrantes do grupo político, as eventuais ações poderiam ocorrer novamente com base na Lei Magnitsky, legislação norte-americana que permite a aplicação de punições contra estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos. As medidas previstas incluem bloqueio de bens em território americano, restrições financeiras e impedimento de entrada nos Estados Unidos.

A equipe ligada à campanha de Flávio Bolsonaro também não descarta que outras autoridades do Judiciário e do governo brasileiro possam ser alvo de medidas nos próximos dias.

Na terça-feira (28), o governo Trump anunciou a prorrogação, por mais um ano a partir de 30 de julho, das sanções contra o Brasil fundamentadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. A medida havia sido estabelecida inicialmente em 2025.

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Na ocasião, Trump justificou a decisão alegando, entre outros pontos, que o Brasil estaria promovendo perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e adotando medidas de censura nas redes sociais. A partir desse argumento, o governo americano havia aplicado uma tarifa de 40% sobre produtos brasileiros importados.

O anúncio mais recente, porém, não provoca efeitos práticos imediatos, já que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o aumento das tarifas ao considerar que a legislação utilizada não concedia esse poder ao presidente americano.

Possíveis novas medidas contra autoridades brasileiras

Apesar da questão tarifária, sanções de caráter político e econômico contra autoridades brasileiras continuam sendo consideradas uma possibilidade. Entre elas estaria uma eventual reinclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky.

A sanção contra Moraes havia sido retirada após uma aproximação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. Na ocasião, os dois presidentes tiveram uma reunião e relataram uma fase positiva na relação bilateral.

Esse cenário, porém, mudou após novas medidas adotadas pelo governo americano contra o Brasil, incluindo a retomada de tarifas e a prorrogação das sanções.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro já vinha articulando junto a aliados da administração Trump a adoção de novas medidas contra Alexandre de Moraes. A movimentação ganhou força após o ministro impedir que Flávio Bolsonaro se reunisse com o pai, depois de uma carta lida pelo senador com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro à sua candidatura.

Também existe, dentro da equipe de Trump, uma discussão sobre uma possível reação ao veto de vistos para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, segundo o jornal “Washington Post”, viajariam ao Brasil em uma missão relacionada ao sistema eleitoral brasileiro.

Fonte: G1