A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, foi seguida por uma intensificação de publicações com críticas a autoridades brasileiras. Desde o último sábado, data do evento, o argentino compartilhou 44 postagens nas redes sociais com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), como o ministro Alexandre de Moraes.
O volume de publicações representa uma média de quase 15 postagens por dia, número bem superior ao registrado na semana anterior ao evento, quando Milei havia compartilhado apenas um conteúdo com teor semelhante.
Usuário frequente da plataforma X, onde acumula quase 390 mil publicações, Milei utiliza principalmente o recurso de republicação de conteúdos produzidos por terceiros. Essa prática também predominou nas mensagens direcionadas a autoridades brasileiras.
Entre as postagens compartilhadas pelo presidente argentino estão conteúdos que responsabilizam o Brasil por uma suposta campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, versão já defendida por ele em discurso durante a convenção do PL, sem apresentação de provas.

Milei também republicou uma entrevista concedida a um canal argentino no YouTube por Wellington Luiz Firmino, condenado pelos atos de 8 de janeiro e atualmente em prisão domiciliar na Argentina após deixar o Brasil. Na entrevista, Firmino afirmou ser vítima de “perseguição” promovida por uma suposta “ditadura” em seu país de origem.
Outra publicação compartilhada pelo presidente argentino reproduziu a mensagem de um influenciador que afirmava que chamar Lula de ladrão “não é motivo de ofensa, é só chamar as coisas pelo nome”. O conteúdo faz referência à condenação do presidente na Operação Lava Jato, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal.
Apesar da intensa atividade nas redes sociais, a participação de Milei no evento do PL teve repercussão predominantemente negativa entre usuários brasileiros. Levantamento da Ativaweb DataLab analisou 158 mil menções sobre o tema entre sábado e segunda-feira e apontou que 84,3% das manifestações tiveram tom de reprovação, enquanto 5,2% demonstraram apoio.
Segundo a pesquisa, expressões como “ingerência”, “irresponsabilidade” e “desrespeito ao Brasil” estiveram entre os termos mais recorrentes nas críticas ao presidente argentino.
Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a estratégia de Milei gerou ampla visibilidade, mas não aumentou sua aprovação entre os brasileiros.
“Milei veio ao Brasil para fortalecer um palanque, mas terminou fortalecendo a rejeição ao próprio nome. Ele conquistou atenção, não aprovação“, avaliou.
A atuação do presidente argentino também foi criticada por Ronaldo Caiado (União), que disputa o eleitorado de direita com Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o ex-governador de Goiás afirmou que a postura de Milei foi inadequada e também fez críticas à condução da política externa brasileira.
“Não se governa na esculhambação. (…) O outro vem aqui e faz escândalo e de repente se acha no direito de xingar o presidente, xingar ministro“, declarou Caiado.
Na mesma entrevista, o presidenciável afirmou ainda que o Itamaraty teria perdido autonomia durante os governos do PT.
Fonte: G1



