Avião experimental que caiu em Mogi Mirim e matou piloto foi fabricado em 2004, aponta Anac

O avião ultraleve modelo Conquest que caiu e pegou fogo na tarde de quarta-feira (29), em Mogi Mirim, no interior de São Paulo, era uma aeronave classificada como experimental e fabricada em 2004. As informações constam no cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O acidente provocou a morte do piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, gestor de segurança da escola de aviação Sport Pilot, que morreu carbonizado.

Segundo a Anac, aeronaves experimentais podem ser construídas por amadores, utilizadas em demonstrações aéreas, desenvolvidas para tentativa de quebra de recordes ou servir como protótipos destinados à certificação, entre outras finalidades.

No caso do avião envolvido no acidente, tratava-se de uma aeronave de construção amadora. Esse tipo de equipamento possui restrições específicas, podendo operar apenas durante o período diurno e sendo proibido para voos comerciais, serviços aéreos e instrução de pilotos.

A agência explica que aeronaves experimentais construídas por amadores não precisam atender aos requisitos técnicos de aeronavegabilidade exigidos para aviões certificados. Conforme a Anac, a responsabilidade pela construção e pelos riscos da operação recai sobre o próprio construtor.

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“O construtor vai utilizar suas melhores habilidades e conhecimento para construir a aeronave e, como consequência, assumindo ele o risco pelo voo”, esclarece a agência.

Ainda segundo o órgão, sua atuação limita-se à verificação de requisitos administrativos, como o critério da maior porção construída ou a existência de um engenheiro responsável pela construção da aeronave.

“O voo nessas aeronaves, portanto, ocorre por conta e risco dos seus ocupantes”, reforça a Anac.

Para operar, esse tipo de aeronave precisa possuir o Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave). O avião acidentado possuía o documento válido e estava autorizado a ser utilizado pela escola Sport Pilot, conforme o cadastro da Anac. A empresa adquiriu a aeronave em 23 de março de 2026.

O modelo Conquest tinha capacidade para duas pessoas — piloto e passageiro — e peso máximo de decolagem de até 650 quilos.

Especialistas afirmam que aeronaves desse tipo costumam ser mais sensíveis às condições meteorológicas por serem mais leves e possuírem maiores restrições operacionais. Um treinador de pilotos ouvido pelo g1, que preferiu não se identificar, destacou que esses aviões são mais suscetíveis às intempéries e lembrou que normalmente exibem uma placa com a inscrição “voo por conta e risco próprio”.

No momento do acidente, Mogi Mirim registrava rajadas de vento de 60,5 km/h, segundo a Defesa Civil. O pico foi registrado por volta das 16h30, horário estimado da queda. Apesar disso, testemunhas informaram ao órgão que não havia vento perceptível no local quando a aeronave caiu.

A Defesa Civil informou ainda que a velocidade constante dos ventos começou a aumentar por volta das 16h. Entre 16h30 e 17h, a corrente de ar atingiu aproximadamente 20,6 km/h. Das 17h às 18h30, a velocidade constante chegou a 18 km/h, enquanto as rajadas alcançaram 50 km/h. Após esse período, os ventos perderam intensidade.

Outro especialista ouvido pelo g1 afirmou que as rajadas podem ter contribuído para o acidente devido às características da aeronave, mas ressaltou que as condições meteorológicas não devem ser tratadas como causa única.

“É o que a gente chama de fator contribuinte. Pode não ser apenas isso, mas pode ter contribuído”, afirmou.

O proprietário da Sport Pilot e da aeronave, Gerson Martinez, também apontou o clima como um dos fatores que podem ter influenciado a perda de controle do avião, que havia decolado do Aeroclube Municipal de Mogi Mirim.

Martinez informou ainda que Leonardo Bezerra Pinheiro teria abastecido a aeronave com uma quantidade de combustível um pouco superior ao normalmente utilizada em voos locais. Segundo ele, após a decolagem, o piloto teria perdido o controle da aeronave e entrado em uma atitude anormal antes da queda.

“Foi colocada uma quantidade de combustível um pouquinho maior do que seria para um voo local. E, segundo o cara que abasteceu, após a decolagem parece que ele perdeu o controle da aeronave, entrou em atividade anormal e veio a se acidentar”, declarou.

O empresário disse desconhecer o motivo do abastecimento adicional, mas levantou a hipótese de que a decisão possa ter sido tomada em razão das condições do tempo ou da possibilidade de necessidade de arremeter ou seguir para outro aeroporto.

O acidente ocorreu por volta das 16h30, na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural de Mogi Mirim. Após a queda, a aeronave pegou fogo. O Corpo de Bombeiros combateu as chamas e confirmou que o piloto morreu carbonizado. O avião de dois lugares tinha o prefixo PU-DON.

Gerson Martinez afirmou que a escola opera regularmente e garantiu que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades, além de oferecer apoio à família da vítima.

A delegada Emília de Oliveira Araújo, da Polícia Civil de Mogi Mirim, informou que a perícia trabalha para a identificação formal da vítima e que as causas do acidente serão investigadas.

A Força Aérea Brasileira (FAB) comunicou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), sediado em São Paulo, realizaram a ação inicial da ocorrência. Durante essa etapa, são coletados dados, verificados os danos causados pela aeronave e reunidas informações que irão subsidiar a investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável por identificar possíveis fatores contribuintes e, quando necessário, emitir recomendações de segurança para evitar novos acidentes.

Fonte: G1