Marqueteiros deixam campanha de Flávio Bolsonaro após pressão e sequência de crises internas

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) passou por uma mudança no comando da comunicação após semanas de pressão interna e críticas à estratégia adotada durante a pré-campanha. Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer deixaram oficialmente suas funções nesta quinta-feira (30), em uma decisão tomada em comum acordo com o senador, segundo apuração do Metrópoles.

De acordo com interlocutores, a substituição foi motivada pelo acúmulo de insatisfações dentro do Partido Liberal, que defendia uma reformulação na estratégia diante da sucessão de crises políticas e da dificuldade de Flávio Bolsonaro em avançar nas pesquisas de intenção de voto.

As críticas não se limitavam à comunicação da campanha. Integrantes do PL também demonstravam descontentamento com a transferência da estrutura de marketing para São Paulo, decisão que, segundo dirigentes, reduziu o diálogo com a direção nacional do partido e com a ala política da campanha, sediadas em Brasília.

Outro ponto de atrito era a resistência da equipe de comunicação em incorporar antigos colaboradores da família Bolsonaro ao núcleo responsável pela estratégia eleitoral.

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Nos bastidores, dirigentes afirmavam que a campanha demorou a reagir aos desgastes envolvendo a candidatura, especialmente após os desdobramentos da relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, além da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Parlamentares do PL também criticavam o que classificavam como um “encastelamento” de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer, apontando que a dupla mantinha uma postura considerada resistente às demandas internas da campanha.

Com a saída dos dois marqueteiros, ganhou força o nome do publicitário Duda Lima, defendido por parte da direção nacional do partido nas últimas semanas. Lima foi responsável pela campanha de reeleição de Jair Bolsonaro à Presidência em 2022 e é próximo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

No início deste ano, Duda Lima participou de reuniões com dirigentes da legenda e com o próprio Flávio Bolsonaro para discutir a estratégia de comunicação da campanha. Na ocasião, porém, havia informado que não pretendia participar de campanhas eleitorais em 2026.

Além da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, o publicitário também atuou na candidatura de Celso Russomanno à Prefeitura de São Paulo, em 2016. Em 2024, integrou a campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), na capital paulista, quando foi agredido por um integrante da equipe de Pablo Marçal.

A pressão por mudanças na comunicação já vinha sendo discutida antes mesmo da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto. Conforme mostrou o Metrópoles, integrantes da campanha defendiam uma revisão da estratégia antes do início oficial do período eleitoral.

A reformulação ocorre em um momento de desempenho abaixo do esperado nas pesquisas e de críticas internas à condução da campanha. Parlamentares e integrantes da equipe relatavam falta de uma estratégia unificada e apontavam falhas em materiais produzidos durante a pré-campanha.

Em maio, a divulgação de áudios e mensagens que mostravam Flávio Bolsonaro solicitando recursos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro levou a uma primeira reorganização da equipe de comunicação.

Aliados também apontam que a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contribuiu para desgastar a candidatura. Até então, a campanha avaliava que o episódio não teria provocado impactos eleitorais, entendimento que orientou a postura do senador, que chegou a afirmar, em uma ocasião, que a madrasta estava “desinformada”.

Para integrantes da equipe, a dificuldade em avaliar a dimensão dos efeitos dessa crise acabou evidenciando falhas na estratégia de comunicação adotada durante a pré-campanha.

Fonte: METRÓPOLES