A Uefa anunciou nesta quinta-feira que as 55 federações nacionais filiadas à entidade poderão boicotar todas as competições organizadas pela Fifa enquanto permanecer em discussão o projeto de criação de uma empresa para administrar os torneios da entidade e vender participação acionária a investidores privados.
A decisão foi tomada após uma reunião virtual entre a Uefa e suas associações-membro. Em comunicado oficial, a entidade informou que nenhuma seleção europeia disputará competições promovidas pela Fifa caso a proposta não seja totalmente retirada ou não sejam apresentadas garantias consideradas suficientes.
Caso a medida seja mantida, importantes competições do calendário internacional poderão ser afetadas, entre elas a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil.
O impasse surgiu após a Fifa anunciar, nesta semana, a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que teria controle majoritário da entidade e ficaria responsável pela gestão comercial e pela organização das principais competições do futebol mundial.

Segundo o projeto, a nova empresa seria avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. A intenção da Fifa é vender cerca de US$ 4,2 bilhões em ações para investidores privados, o equivalente a uma participação minoritária na companhia.
A entidade defende que a entrada de capital privado permitirá ampliar a exploração comercial de direitos de transmissão e contratos de patrocínio das competições masculinas, femininas e das categorias de base.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a proposta ainda precisará ser submetida à aprovação das associações-membro e do conselho da organização antes de entrar em vigor.
Como argumento para defender o projeto, a Fifa afirma que os recursos obtidos com a venda das ações possibilitariam ampliar os repasses financeiros destinados às federações nacionais.
Atualmente, conforme a entidade, cada associação recebe cerca de US$ 8 milhões. Caso a proposta seja aprovada, esse valor poderá chegar a US$ 20 milhões por federação.
A previsão apresentada pela Fifa aponta repasses de aproximadamente R$ 102 milhões até 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038, considerando os valores em reais informados no projeto.
A Uefa reagiu com duras críticas à iniciativa, classificando a proposta como “irresponsável e indefensável”. Para a entidade europeia, a Copa do Mundo não deve ser tratada como um ativo destinado a investimentos privados.
Além disso, a organização afirmou que a Fifa avançou com o projeto sem realizar consultas suficientes às entidades responsáveis pela administração do futebol internacional.
A resistência à proposta também foi manifestada pela Concacaf, que reúne as federações da América do Norte, Central e Caribe, e pela Confederação Asiática de Futebol (AFC). Somadas, as três confederações representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa.
Caso o boicote seja mantido, a medida poderá provocar um grande impasse no futebol internacional, já que as seleções europeias figuram entre as principais participantes das competições organizadas pela Fifa.



