O segundo dia de greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM foi marcado por reclamações de passageiros que recorreram aos ônibus da Operação Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) para se deslocar pela Grande São Paulo. Usuários relataram demora, superlotação e dificuldades causadas por motoristas que, segundo eles, desconheciam os trajetos e precisavam pedir orientação aos próprios passageiros.
A Operação Paese é acionada em casos de greves, paralisações ou falhas de grandes proporções no transporte sobre trilhos. O sistema disponibiliza ônibus gratuitos para atender os trechos afetados, utilizando veículos de linhas regulares.
Na estação São Miguel Paulista, da Linha 12-Safira, passageiros afirmaram ter esperado quase uma hora e meia para conseguir embarcar. Segundo relatos, quem chegou por volta das 5h da manhã só encontrou os primeiros ônibus às 6h15.
A equipe do Bom Dia SP, da TV Globo, verificou que entre 5h50 e 7h15 apenas um ônibus do Paese chegou à estação. Depois desse horário, ao menos três veículos passaram a atender o local.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que ampliou a operação nesta quarta-feira (5), colocando 195 ônibus em circulação, número superior aos 128 veículos disponibilizados no primeiro dia da greve.
Do total, 95 ônibus atendem a Linha 11-Coral, 90 operam na Linha 12-Safira e 10 fazem o atendimento da Linha 13-Jade.
Segundo a Artesp, inspetores acompanham a operação nas estações ferroviárias. No entanto, até por volta das 7h17, as equipes da TV Globo informaram que não localizaram esses profissionais nas estações visitadas.
Sobre as reclamações de motoristas que desconheciam os trajetos, a agência afirmou que reforçou as orientações às empresas responsáveis e classificou o episódio como uma ocorrência pontual.
A distribuição dos ônibus contempla diversas estações das três linhas. Na Linha 11-Coral, os veículos atendem o trecho entre Estudantes e Guaianases. Na Linha 12-Safira, o atendimento ocorre entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart. Já na Linha 13-Jade, os ônibus fazem o trajeto entre Engenheiro Goulart e o Aeroporto de Guarulhos.
Com a paralisação mantida, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos durante todo o dia e informou que consultas e exames da rede pública afetados pela greve serão remarcados diretamente pelas unidades de saúde.
As demais restrições de circulação permanecem em vigor, incluindo o rodízio de caminhões, a Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) e a Zona de Máxima Restrição aos Fretados (ZMRF). As faixas exclusivas de ônibus continuam reservadas ao transporte coletivo.
O Governo de São Paulo informou que CPTM e Metrô mantêm o plano de contingência para reduzir os impactos da paralisação. A concessionária TIC Trens reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e informou que opera com frota máxima nos horários de pico. Já a Motiva afirmou que as linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda seguem funcionando normalmente, com reforço operacional e monitoramento em tempo real.
A greve começou à meia-noite de terça-feira (4). Os ferroviários reivindicam a reestatização das linhas concedidas à Trivia Trens ou a garantia dos cerca de 4.700 empregos dos funcionários da CPTM durante o processo de transição.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil afirmou que decidiu manter a paralisação porque o governo não apresentou, por escrito, garantia de manutenção dos empregos. Uma nova assembleia da categoria foi convocada para esta quarta-feira (5), às 17h, para avaliar o andamento das negociações.
O Governo de São Paulo contesta a justificativa e afirma que não há demissões relacionadas ao processo de concessão. Segundo a administração estadual, dos 4.648 funcionários registrados em junho de 2026, 2.171 permanecem na Linha 10-Turquesa, enquanto os demais estão sendo realocados para o Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos públicos.
Em nota, o governo classificou a greve como injustificável, afirmou que o movimento tem caráter político e destacou que quase 1 milhão de passageiros são afetados diariamente pela paralisação. Também informou que adotará medidas administrativas e judiciais para garantir a prestação do serviço e responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações da Justiça do Trabalho.
O governador Tarcísio de Freitas também criticou o movimento nas redes sociais, classificando a greve como uma “instrumentalização política” e afirmando que o governo permanece aberto ao diálogo.
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas à iniciativa privada em março do ano passado. A Trivia Trens assumiu integralmente a operação em 21 de julho, mas, após falhas, atrasos e um incêndio em um trem da Linha 12-Safira, a Artesp determinou que a CPTM retomasse temporariamente a operação das linhas por 90 dias enquanto a concessionária realiza ajustes operacionais.
Fonte: G1



