Por que as ligações indesejadas continuam incomodando e como reduzir o problema

As ligações indesejadas seguem entre as principais reclamações dos consumidores brasileiros, mesmo com a existência de ferramentas para bloquear chamadas de telemarketing. A dificuldade em impedir esse tipo de contato voltou ao centro do debate após empresas de telefonia questionarem a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre um sistema da Vivo que bloqueia chamadas consideradas suspeitas.

Pelo menos sete empresas recorreram à Anatel alegando que o mecanismo “anti-spam” da operadora estaria derrubando ligações legítimas. A Vivo afirma que o sistema bloqueia apenas chamadas em massa realizadas sem identificação adequada.

A iniciativa busca criar uma camada adicional de proteção contra ligações excessivas e complementar soluções como o “Não Me Perturbe”, ferramenta criada para reduzir o telemarketing de operadoras e instituições financeiras, mas que ainda possui limitações.

Grande parte das chamadas indesejadas é feita por sistemas automatizados conhecidos como “robocalls”. Nessas ligações, não há um atendente do outro lado da linha e a chamada costuma cair poucos segundos após ser atendida.

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A estratégia é utilizada por empresas que realizam diversas ligações simultaneamente. Quando uma pessoa atende, as demais chamadas são encerradas. Além disso, os call centers utilizam esse método para identificar quais números estão ativos e atualizar seus bancos de dados.

Outro problema é o chamado “spoofing numérico”, técnica que permite alterar o número exibido ao destinatário para que ele pareça uma linha telefônica comum, dificultando o bloqueio pelas operadoras.

Essa prática pode ser realizada por meio de servidores VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet), tecnologia utilizada por empresas para administrar sistemas telefônicos, mas que também pode ser explorada de forma indevida.

A Anatel chegou a tornar obrigatório o uso do prefixo 0303 para identificar ligações de telemarketing. No entanto, a exigência foi posteriormente retirada após a constatação de que havia elevada rejeição a esse tipo de chamada.

Para tentar reduzir as fraudes e aumentar a transparência, a Anatel aposta na expansão do sistema “Origem Verificada”. A tecnologia autentica as ligações em tempo real e garante que o número exibido no celular pertence realmente à empresa que está realizando o contato.

Segundo a ABR Telecom, o sistema autenticou 6,6 bilhões de chamadas em junho de 2026. Atualmente, empresas que fazem mais de 500 mil ligações por mês já são obrigadas a aderir à plataforma. A exigência para todas as empresas entrará em vigor a partir de outubro de 2028.

O “Origem Verificada” utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN para validar as chamadas com base no banco de dados da ABR Telecom. Além da autenticação, o sistema pode exibir o nome, o logotipo da empresa e o motivo da ligação. A identificação visual continuará sendo opcional, enquanto a autenticação será obrigatória.

Hoje, a plataforma reúne 63 empresas de telefonia parceiras, entre elas Vivo, Claro, TIM e Algar. A expectativa da Anatel é que, após a implantação completa da medida, cerca de metade das ligações de empresas para consumidores seja autenticada.

Enquanto isso, consumidores podem utilizar outras ferramentas para diminuir o volume de chamadas indesejadas. O cadastro no site www.naomeperturbe.com.br permite bloquear ligações de empresas de telefonia e de 74 instituições financeiras participantes. O bloqueio passa a valer em até 30 dias, embora golpistas e algumas empresas possam continuar realizando contatos.

Celulares Android também oferecem recursos para identificar e bloquear chamadas suspeitas por meio das configurações de proteção contra spam. No iPhone, o recurso “Perguntar motivo da ligação” atende automaticamente as chamadas com um assistente virtual.

Outra alternativa é utilizar aplicativos como Whoscall e Truecaller, que identificam quem está ligando e permitem bloquear números suspeitos. Alguns recursos avançados desses serviços podem ser pagos.

Para quem deseja eliminar praticamente todas as chamadas desconhecidas, também é possível bloquear números não identificados. No entanto, essa opção pode impedir o recebimento de ligações importantes.

Caso o problema persista, a Anatel orienta os consumidores a registrar reclamações junto à agência. Também recomenda o uso da plataforma “Qual Empresa Me Ligou”, disponível em www.qualempresameligou.com.br, onde é possível consultar o nome e o CNPJ da empresa responsável por determinada ligação informando apenas o número telefônico.

O serviço “Origem Verificada” é gratuito para os consumidores. Para utilizá-lo, é necessário que o aparelho esteja conectado a uma rede 4G ou 5G e seja compatível com a tecnologia. No caso dos iPhones, é preciso utilizar o iOS 18.2 ou superior. Já nos dispositivos Android, a compatibilidade começa a partir do Android 11, sendo que aparelhos Samsung funcionam desde o Android 10.

Fonte: G1