Ex-companheiro invade casa, agride mulher e é preso após vítima usar sinal de socorro no Paraná

Uma mulher vítima de violência doméstica conseguiu pedir ajuda de forma silenciosa após ser agredida pelo ex-companheiro em Pitanga, na região central do Paraná. O homem invadiu a casa dela, desferiu socos e chutes e a golpeou com um cabo de vassoura. Depois, obrigou a vítima a acompanhá-lo até a residência do atual namorado dela para “tirar satisfação”.

Durante o trajeto, a mulher utilizou o chamado “sinal universal de socorro”. Testemunhas que passavam de carro perceberam o gesto, pararam para ajudá-la e a levaram até a polícia. O homem foi preso na tarde de segunda-feira (3). A abordagem foi registrada por câmeras de segurança.

Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima relatou que o ex-companheiro havia invadido sua residência e a agredido com socos, chutes e um cabo de vassoura. O homem ainda a obrigou a seguir com ele até a casa do atual namorado, motivado por ciúmes.

O delegado William Gama Assunção explicou que o pedido de ajuda ocorreu enquanto os dois se deslocavam entre os endereços.

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“A mulher tinha sido agredida pelo ex-companheiro, que tinha invadido a casa e, por questões de ciúme do atual companheiro dessa vítima, a agrediu e a levou para tomar satisfações no outro endereço, onde reside o atual companheiro da vítima. Nesse percurso entre a casa da vítima e a casa do atual companheiro, foi que ela conseguiu pedir ajuda através de sinais ao indivíduo que passava na rua”, detalhou.

As testemunhas perceberam o sinal, pararam o carro e abordaram o casal. Elas também notaram que a mulher apresentava lesões aparentes. Ao ser questionada, a vítima pediu que a polícia fosse chamada.

A mulher entrou no veículo das testemunhas, mas o agressor tentou acompanhá-la. Os envolvidos foram levados até a Companhia da Polícia Militar de Pitanga, onde os policiais constataram que o caso envolvia lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar.

O homem foi preso e, durante o depoimento, afirmou que houve uma discussão e alegou que as agressões teriam sido mútuas. A vítima foi encaminhada ao hospital para receber atendimento médico.

Apesar da prisão, o homem foi liberado pela Justiça na terça-feira (4), após audiência de custódia, a pedido do Ministério Público (MP). Ele não precisou pagar fiança e ficou sujeito a algumas medidas cautelares, mas não recebeu determinação para manter distância ou não entrar em contato com a vítima. O nome dele não foi divulgado.

Questionado sobre a decisão, o Ministério Público informou que a Justiça entendeu que a fiança era desnecessária “diante das circunstâncias do caso concreto e das cautelares aplicadas”.

Sobre a ausência de uma medida para impedir a aproximação do homem em relação à vítima, o MP afirmou que ela “manifestou expressamente não ter interesse na adoção dessa restrição” e que, naquele momento, “não foram identificados elementos concretos que justificassem a imposição da medida”.

O sinal utilizado pela mulher é conhecido como “sinal universal de socorro”. O gesto foi criado para permitir que uma pessoa peça ajuda silenciosamente, sem chamar a atenção do agressor.

Para fazer o sinal, a pessoa mantém a palma da mão voltada para fora, dobra o polegar para dentro e fecha os outros quatro dedos sobre ele. A intenção é comunicar a quem estiver observando que a pessoa está em situação de violência e precisa de ajuda.

Fonte: G1