Sequestro de recém-nascida termina com resgate no Paraguai e três presos

A recém-nascida Ayla Emanuelly, com menos de um mês de vida, foi encontrada com vida na madrugada deste domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após desaparecer em Campo Grande na quinta-feira (6). A bebê foi localizada durante uma operação que envolveu autoridades brasileiras e paraguaias, repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS).

Ao todo, três pessoas foram presas no decorrer da investigação. O casal de brasileiros que estava com a criança foi detido em flagrante no Paraguai e deve ser transferido para Campo Grande nesta segunda-feira (10). Antes disso, um homem suspeito de envolvimento no caso havia sido preso em Campo Grande, no sábado (8).

Segundo o Conselho Tutelar de Ponta Porã, Ayla está bem, saudável e em segurança. A família, que mora em Campo Grande, deverá receber atendimento psicossocial da rede de proteção.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi fundamental para localizar a recém-nascida. O g1 não encontrou as defesas do casal preso no Paraguai.

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Como o sequestro aconteceu

A investigação começou depois que a mãe de Ayla, de 17 anos, contou à Polícia Militar que havia conhecido uma mulher em um grupo de venda de roupas infantis. Essa mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela.

A mãe aceitou a proposta e foi até um endereço no Bairro Universitário, em Campo Grande, na quinta-feira (6). Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.

Segundo o relato, as três foram recebidas pela mulher, que ofereceu água. A adolescente disse que não dormiu depois de beber, enquanto a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.

Ainda conforme o depoimento, a adolescente foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela afirmou ter ouvido que, caso se recusasse, ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco”.

A bebê foi retirada do imóvel. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7), e o celular da mãe também teria sido levado. Segundo a adolescente, havia cerca de 10 homens na residência, além da mulher que havia feito a proposta.

Rastreamento levou investigadores ao Paraguai

Após o registro do desaparecimento, a Depca iniciou as buscas para identificar os responsáveis e descobrir para onde Ayla havia sido levada.

Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça emitiu um alerta para ajudar na localização da bebê. Foi a primeira utilização do Amber Alert Brasil em Mato Grosso do Sul.

O sistema é utilizado para ampliar a divulgação de desaparecimentos de crianças quando há suspeita de rapto ou sequestro, compartilhando informações para aumentar as chances de localização.

Durante as investigações, os policiais realizaram levantamentos, cruzaram informações e fizeram diligências. Os indícios apontaram que a recém-nascida poderia ter sido levada para o Paraguai. O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi determinante para avançar até o paradeiro da criança.

A Depca acionou a Polícia Civil de Ponta Porã, e os dados foram compartilhados com autoridades paraguaias por meio da cooperação entre as forças de segurança dos dois países.

O Comando Bipartito, formado por policiais brasileiros e paraguaios, passou a atuar na ocorrência com equipes especializadas do Paraguai. A partir das informações fornecidas pela polícia brasileira, os investigadores paraguaios identificaram o imóvel onde havia suspeita de que Ayla estivesse.

Bebê foi encontrada em uma residência

Por volta de 1h15 de domingo, equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado de busca em uma residência.

Ayla foi encontrada no local, acompanhada de um casal de brasileiros. Os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo, que serão submetidos à análise da investigação.

Após ser localizada, a bebê foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para atendimento médico. Depois, foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece.

Suspeitos devem ser levados para Campo Grande

O casal encontrado com Ayla permanece em Ponta Porã, sob custódia após a prisão em flagrante. A previsão é que os dois sejam transferidos para Campo Grande nesta segunda-feira (10).

Uma equipe da Depca foi até Ponta Porã para acompanhar os procedimentos. Como a investigação está sob responsabilidade da delegacia especializada, os suspeitos deverão ser ouvidos pelos investigadores em Campo Grande.

O terceiro preso é um homem detido em Campo Grande no sábado (8). Conforme a polícia, ele teria emprestado a casa para onde a bebê foi levada e que teria sido utilizada como cativeiro. Neste domingo, a prisão preventiva dele foi decretada durante audiência de custódia.

A defesa, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou ao g1 que está tomando conhecimento dos detalhes do caso e pretende demonstrar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele.

Família receberá acompanhamento

Ayla permanece sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. A partir desta segunda-feira, a família deverá receber atendimento da rede de proteção. O objetivo é acompanhar a criança e os familiares após o sequestro e definir os próximos encaminhamentos.

Forças de segurança participaram das buscas

No Brasil, a investigação é conduzida pela Depca, com apoio do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã.

No Paraguai, participaram da operação o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro (DAS), a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia.

A operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.

Investigação ainda busca esclarecer dinâmica do crime

Apesar do resgate da bebê e das prisões, a investigação ainda precisa reconstruir toda a dinâmica do sequestro, desde a abordagem da mãe até a chegada de Ayla ao Paraguai.

Os investigadores também buscam identificar quem planejou o crime, qual foi a participação de cada suspeito, quem ajudou a retirar a criança do Brasil e se outras pessoas participaram da ação.

Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão ser analisados e podem contribuir para esclarecer esses pontos. A polícia também deverá ouvir os suspeitos e outras pessoas relacionadas ao caso para entender como o sequestro foi organizado e executado.

Fonte: G1