Polícia prende três suspeitos de aplicar ‘golpe do falso advogado’ em SP

A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (11) três suspeitos de integrar uma quadrilha especializada no chamado “golpe do falso advogado”. As prisões ocorreram durante uma operação em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Outros dois integrantes do grupo continuam foragidos. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão.

A operação foi coordenada pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Barretos, no interior paulista, após aproximadamente oito meses de investigação. Os suspeitos presos vão responder por estelionato e associação criminosa.

A investigação começou depois que um mecânico de 47 anos procurou uma delegacia em Barretos para relatar uma tentativa de fraude. A vítima recebeu mensagens de uma pessoa que se apresentou como seu advogado e afirmou que ele havia vencido um processo judicial.

Para receber o suposto valor da ação, o homem foi orientado a fazer uma transferência bancária de quase R$ 10 mil. Segundo os criminosos, o pagamento seria necessário para liberar o dinheiro e evitar a cobrança de impostos.

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Antes de concluir a transferência, porém, a vítima percebeu que se tratava de um golpe. Mesmo assim, chegou a acessar um link enviado pelos criminosos e sofreu prejuízo financeiro.

Segundo o delegado Gustavo Lopes Coelho, responsável pela investigação, o grupo atuava em diversos estados e utilizava informações obtidas na internet e por meio da comercialização ilegal de dados.

“Eles obtinham informações de processos, com dados das partes e valores das causas, e faziam contato com as vítimas se passando por advogados para obter as vantagens ilícitas através dessa ludibriação”, afirmou.

Cinco integrantes foram identificados

As investigações identificaram cinco integrantes da organização criminosa: quatro homens e uma mulher. Três deles, sendo dois homens e uma mulher, foram presos nesta terça-feira. Os outros dois ainda não foram localizados.

Para dar aparência de legitimidade às abordagens, os criminosos utilizavam imagens de advogados reais, símbolos do Poder Judiciário e até chamadas de vídeo que simulavam audiências virtuais.

“Eles realizavam videochamadas utilizando brasões e referências ao Poder Judiciário. Em alguns casos, chegavam a se passar por juízes e promotores para convencer as vítimas de que participavam de audiências oficiais”, explicou o delegado.

A polícia afirma que a quadrilha atuava havia pelo menos um ano e era especializada nesse tipo de fraude. Os golpes normalmente envolviam valores entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por vítima.

Os investigadores ainda trabalham para dimensionar o prejuízo total provocado pelo grupo. Além do caso registrado em Barretos, outras vítimas foram identificadas em diferentes estados do país.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, computadores, dispositivos de armazenamento digital e documentos. Todo o material será submetido a perícia para aprofundar a investigação e ajudar na identificação de possíveis novos envolvidos.

Fonte: G1