Memphis Depay se sentiu desrespeitado por integrantes da direção do Corinthians e avaliou que o esforço feito para renovar seu contrato não foi devidamente valorizado. O atacante também entendeu que acabou sendo colocado como uma espécie de escudo para as crises institucionais vividas pelo clube.
Apesar do desgaste com o Corinthians, o mercado brasileiro é bem avaliado pelo holandês, inclusive por causa das sondagens recebidas durante a atual janela de transferências. Memphis foi procurado por clubes da França, do México, da Turquia, do Catar e da Arábia Saudita, mas nenhum dos projetos apresentados o agradou.
O jogador pretende continuar atuando em uma liga competitiva e em um clube que possa lhe proporcionar visibilidade. Nesse cenário, o fato de ter gostado do Brasil e construído uma rede de amigos no país também pesa na avaliação de uma eventual proposta.
Memphis ainda mantém projetos comerciais no Brasil e pretende dar continuidade a eles. O principal obstáculo para que permaneça no futebol brasileiro, porém, é o alto salário. Mesmo assim, como está livre no mercado, uma eventual negociação passou a ser considerada mais viável pelos clubes interessados.

Dois clubes brasileiros que fizeram sondagens pelo atacante sinalizaram positivamente em relação aos valores que vinham sendo negociados por Memphis com o Corinthians.
Maior artilheiro da história da seleção holandesa, Memphis disputou 79 partidas pelo Corinthians, marcou 20 gols e conquistou três títulos: Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa do Brasil.
Negociação com o Corinthians
Para permanecer no Corinthians, Memphis havia aceitado alterar o modelo do contrato anterior, que vigorou de setembro de 2024 a julho deste ano. O novo acordo previa redução nas remunerações e mudanças nas bonificações.
O atacante também concordou em assinar por dois anos, em vez dos três anos que pretendia inicialmente, além de aceitar o parcelamento dos R$ 42 milhões que tem a receber do clube.
Do lado do Corinthians, entretanto, a renovação encontrou forte resistência entre alas políticas do Parque São Jorge. Conselheiros influentes e pessoas próximas a Stabile se posicionaram contra o acordo desde o início, mesmo após a redução dos valores envolvidos no contrato.
Com o avanço das tratativas, Memphis retornou ao Brasil no último dia 4 com a expectativa de assinar a renovação. O jogador passou por uma bateria de exames durante dois dias, em um hospital e no CT Joaquim Grava, e foi aprovado pelo departamento médico.
O resultado contrariou a expectativa de aliados do presidente, que esperavam que os testes apontassem condições físicas inadequadas.
Ainda assim, as divergências continuaram durante a permanência do atacante em São Paulo. Memphis não conseguiu ser reintegrado ao elenco, retornar aos treinamentos ou viajar para o primeiro compromisso do Corinthians no mata-mata da Conmebol Libertadores.
Durante o período de indefinição, profissionais do departamento de futebol afirmavam que o acordo estava encaminhado, mas que era necessário aguardar a conclusão da burocracia jurídica.
O executivo de futebol Marcelo Paz, responsável pela condução das negociações, e o técnico Fernando Diniz, que se manifestou publicamente pela permanência do atacante, foram os principais defensores do acordo.
Nos últimos dias, os departamentos financeiro, jurídico e de marketing haviam chegado a um alinhamento para viabilizar a renovação.
O presidente, por sua vez, ficou diante de uma situação delicada: precisava escolher entre contrariar aliados em um ano eleitoral, com o risco de perder apoio político caso autorizasse a renovação, ou desagradar os torcedores caso impedisse a assinatura do novo contrato.
Fonte: GE



