O Wi-Fi a bordo já faz parte da experiência de viagem de muitas companhias aéreas no Brasil. Enquanto alguns voos oferecem conexão gratuita para troca de mensagens, outros exigem a contratação de pacotes para permitir a navegação durante a viagem.
Mas como o sinal de internet chega a uma aeronave a mais de 10 mil metros de altitude? Diferentemente de uma conexão doméstica, que normalmente chega ao roteador por fibra óptica ou cabo, o avião depende de sistemas que transmitem dados enquanto a aeronave está em movimento.
Atualmente, existem duas tecnologias principais para levar internet aos aviões: o sistema Air-to-Ground (ATG), baseado em torres terrestres, e a conexão via satélite. A escolha depende de fatores como a rota e o tipo de aeronave.
Segundo Alexandre Martins, gerente de negócios do MelhorPlano.net, o ATG utiliza antenas instaladas na parte inferior da aeronave para captar sinais de torres localizadas em solo. O funcionamento é semelhante ao de uma rede de telefonia móvel.

Conforme o avião se desloca, o sistema alterna automaticamente entre diferentes torres terrestres para manter a conexão. Como depende de infraestrutura em terra, porém, o ATG só funciona em áreas cobertas por essas estruturas e não atende voos sobre oceanos ou regiões remotas.
Na conexão via satélite, por outro lado, antenas instaladas na parte superior da fuselagem fazem a comunicação com satélites em órbita. Os dados percorrem o caminho entre a aeronave, os satélites e estações terrestres conectadas à rede mundial.
Apesar de o trajeto ser mais longo, a tecnologia oferece cobertura praticamente contínua, inclusive durante voos transoceânicos. Além dos satélites geoestacionários, algumas companhias utilizam constelações de satélites de baixa órbita (LEO), como a Starlink. Por estarem mais próximas da Terra, essas estruturas ajudam a diminuir a latência da conexão.
Como o Wi-Fi chega ao celular?
Independentemente de a conexão externa ser fornecida por torres terrestres ou satélites, o sinal passa primeiro pelos equipamentos instalados no avião, incluindo modem e roteador.
Esses dispositivos criam uma rede Wi-Fi dentro da aeronave, distribuída por pontos de acesso espalhados pela cabine. Assim, celulares, tablets e notebooks podem se conectar à rede.
Isso significa que o passageiro não se conecta diretamente ao satélite ou às torres em solo. O dispositivo acessa somente a rede Wi-Fi criada dentro do avião, enquanto os equipamentos de bordo fazem a comunicação com o sistema externo e encaminham os dados para a internet.
“É uma rede local a bordo que ‘repassa’ a conexão que vem de fora”, explica Alexandre Martins.
Esse funcionamento também permite que o Wi-Fi seja utilizado com o celular no modo avião. Como a conexão ocorre por meio da rede sem fio instalada na aeronave, ela não depende da rede móvel da operadora.
Por isso, quando o serviço está disponível, as companhias aéreas orientam os passageiros a manter as conexões celulares desligadas e acessar a internet por meio do Wi-Fi de bordo.
Por que a internet do avião costuma ser mais lenta?
A velocidade da conexão durante o voo pode ser inferior à observada em terra por diferentes motivos. Um deles é o compartilhamento da rede entre os passageiros.
Quanto maior o número de pessoas conectadas simultaneamente, menor tende a ser a velocidade disponível individualmente.
A latência também interfere no desempenho. Ela representa o tempo necessário para que os dados saiam do dispositivo, cheguem ao destino e retornem.
“Nas conexões feitas por satélites geoestacionários, por exemplo, o sinal precisa viajar milhares de quilômetros de ida até a conexão e volta, o que aumenta o tempo de resposta”, explica Martins.
Por essas limitações, atividades que demandam grande volume de dados, como assistir a vídeos em alta definição, podem apresentar dificuldades durante o voo.
Os satélites de baixa órbita (LEO), como os utilizados pela Starlink, ajudam a reduzir a latência porque operam mais próximos da Terra. Essa tecnologia, entretanto, ainda não está presente em todas as aeronaves.
O Wi-Fi do avião é seguro?
O Wi-Fi oferecido nos aviões pode ser utilizado normalmente, mas deve ser tratado como uma rede pública, assim como aquelas encontradas em aeroportos, hotéis e cafeterias.
Alexandre Martins recomenda a adoção de cuidados de segurança durante a navegação.
“A maioria dos sites já usa HTTPS, o que já criptografa boa parte do tráfego, mas, para acessar aplicativos de banco, e-mail corporativo ou dados sensíveis, o ideal é usar uma VPN. O risco não está no avião ‘espiando’ os passageiros, mas na exposição típica de redes compartilhadas que podem ser acessadas por qualquer usuário”, alerta.
Por que alguns voos não têm Wi-Fi?
A oferta de internet a bordo vem crescendo, mas a instalação do serviço ainda representa um investimento significativo para as companhias aéreas.
O sistema exige antenas, equipamentos específicos, adaptações nas aeronaves, certificações e custos de manutenção. Além disso, os dispositivos instalados aumentam o peso do avião e podem influenciar, ainda que de maneira pequena, o consumo de combustível.
“Aeronaves mais antigas muitas vezes não têm o equipamento, e em rotas curtas o investimento nem sempre compensa”, afirma Martins.
“Companhias regionais e voos domésticos baratos são os que menos oferecem Wi-Fi, justamente por essa conta não fechar.”
Fonte: TechTudo



