O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que seu motorista foi abordado de forma ostensiva por policiais militares após deixá-lo em casa, na noite de terça-feira (11), em São Paulo. Segundo o ex-ministro, o motorista foi acompanhado por uma viatura e ficou abalado com a situação.
Haddad disse que pretende pedir esclarecimentos ao governo paulista e que o episódio seja investigado. O relato foi feito nesta quarta-feira (12), durante entrevista a jornalistas após sua participação no programa Hora do Voto 2026, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), no Centro da capital.
O candidato afirmou que só tomou conhecimento do caso pela manhã, depois de conversar com o motorista e com seu advogado, Hélio Silveira. Segundo Haddad, o funcionário ficou assustado com a abordagem.
“O meu motorista foi acompanhado de uma forma estranha, uma pessoa que me deixou em casa. Foi acompanhada de uma forma um pouco ostensiva: você emparelhar o carro, colar no para-choque traseiro, estacionar, acompanhar, estacionar […] Ele é um trabalhador. Estava abalado até agora, porque tinham três fuzis dentro da viatura, as pessoas olhando para ele.”

De acordo com Haddad, a viatura permaneceu próxima ao carro em diferentes momentos. Ele afirmou não saber informar por quanto tempo o motorista teria sido acompanhado.
O candidato disse desconhecer a razão da ação e afirmou que pretende levar o caso ao governo de São Paulo. Haddad também ponderou que pode ter ocorrido uma confusão ou até mesmo uma coincidência.
“Eu não sei o que aconteceu. Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Espero que tenha havido uma confusão, mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, disse.
Uma câmera de segurança registrou uma viatura da Polícia Militar passando pela rua onde Haddad mora. Na sequência, o candidato aparece chegando de carro, descendo do veículo e entrando em casa. O motorista também deixa o automóvel.
O advogado Hélio Silveira afirmou que Haddad chegou a perceber uma viatura da PM atrás do veículo, além de uma luz alta. Questionado sobre se os policiais teriam visto o candidato sair do carro, Silveira respondeu que sim.
Haddad também afirmou que, segundo o relato recebido, a conduta dos policiais não teria seguido o que ele considera um procedimento padrão de abordagem.
“Uma coisa é você pedir para o cara parar. Então, pede para parar. Mas, no normal, a pessoa para. Quem que você é? Tem documento? Se é uma abordagem, uma blitz, é normal acontecer. Ele relatou, mas não foi isso […] Foi emparelhar o carro, você ficar colado no carro, você estacionar e não sair para pedir documento, pedir para se apresentar. Não foi normal.”
“Nós estamos levando essas informações para o governo do estado para informá-lo do episódio, esperando que ele se esclareça, para resguardar a segurança das pessoas que me acompanham e a minha própria segurança”, finalizou.
A campanha de Haddad também apresentou uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral, solicitando a abertura de um Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE).
Como teria ocorrido o acompanhamento
Hélio Silveira relatou ainda a versão do motorista sobre o que teria acontecido depois que ele deixou Haddad em casa.
“É uma situação incomum, o pessoal estranhou. Fernando ficou na casa dele. O motorista saiu, foi se dirigir para sua casa. Depois de um dia exaustivo de trabalho, né? Quando ele sentiu a polícia se aproximando, vinha atrás pela Avenida 23 de Maio, muito próximo, com as luzes acesas. Quando ela fez a aproximação de verdade, apagou as as luzes da viatura, o que causou mais estranheza. O rapaz, para se proteger, parou num hotel porque ali no hotel teria as câmeras de segurança, tem o pessoal do estacionamento, teria ali um uma área de respiro. Ele parou o carro, entrou no hotel. Voltou, foi perguntar para os policiais o que tinha acontecido. Os policiais não responderam de maneira amistosa. Ele voltou para dentro do hotel, ficou esperando, aí nos acionou. Os policiais foram embora”, relatou.
“O Haddad é uma figura pública. Sujeito a maior iluminação da coisa, o motorista não. O motorista é um trabalhador. E por que que estaria uma viatura policial seguindo um trabalhador, né?”, completou.
O que diz a SSP
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que determinou à Polícia Militar a identificação das equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado, com o objetivo de apurar as circunstâncias do episódio.
Segundo a pasta, o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, entrou em contato com Fernando Haddad para obter informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada e contribuir com a investigação.
A SSP afirmou ainda que “Qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado”.
Fonte: G1



