Criança de 4 anos morre com lesões pelo corpo em Porto Alegre; Polícia Civil investiga

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga a morte de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, em Porto Alegre. A menina deu entrada na madrugada de segunda-feira (17) na UPA Bom Jesus, na Zona Leste da capital, já sem vida e apresentando manchas roxas pelo corpo.

Segundo a delegada Alice Fernandes, da 3ª Delegacia de Proteção à Crianças e ao Adolescente, a criança apresentava ferimentos em diferentes partes do corpo. A perícia deverá determinar quando essas lesões foram provocadas.

“Como a criança apresentava diversas lesões, não sabemos o tempo dessas lesões. Só a perícia vai poder afirmar. São lesões na cabeça, nas nádegas, nas pernas”, relata a delegada.

Além de estabelecer o período em que os ferimentos foram causados, os laudos periciais deverão auxiliar a investigação, que busca identificar quem teria provocado as lesões.

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“Os médicos narraram sinais visíveis de agressão, algumas marcas no corpo da vítima e aventaram inclusive a hipótese de que poderia haver algum tipo de violência de curso sexo-fóbico”, afirma ainda a delegada.

A tia de Samylle, responsável por levar a menina até a unidade de pronto atendimento, prestou depoimento à Polícia Civil em duas oportunidades.

De acordo com Alice Fernandes, a mulher relatou que chegou em casa após o trabalho e encontrou a criança saindo do banho, já com lesões pelo corpo. A tia teria questionado o companheiro sobre a situação, e os dois discutiram.

“A menina foi para o quarto dormir. Quando a tia passou, a menina estava na cama, dormindo. Viu que ela apresentava uma espuma pela espuma, como se estivesse convulsionando”, conta a delegada.

Até a publicação da reportagem, a polícia ainda não trabalhava com suspeitos e considerava todas as pessoas envolvidas no caso como testemunhas.

A tia informou aos investigadores que Samylle estava morando com ela. Conforme a delegada, documentos indicam que o Conselho Tutelar teria concedido à mulher, no início de julho, a guarda provisória da criança. Ela estaria em tratativas para obter a guarda definitiva.

Em nota, a Defensoria Pública confirmou que foi procurada pela tia na última quinta-feira (13), “direcionada pelo Conselho Tutelar, por impossibilidade de exercício da guarda pela mãe.”

Samylle Valentina tinha uma irmã de 9 anos. Em 2025, após uma denúncia de suposto abuso sexual, o Conselho Tutelar recomendou que as duas meninas passassem a morar com os avós maternos.

O coordenador-geral dos Conselhos Tutelares de Porto Alegre, Leandro Barbosa da Silva, afirmou que o órgão acompanhou a situação naquele período.

“Até setembro, este conselho fez visita na casa da avó, noticiou a avó, encaminhou para o CREAS, para os serviços de saúde, chamamos a mãe que não estava mais com o suposto abusador. Quando chegou o Judiciário e atuou, e a gente não foi provocado, para nós tudo estava seguindo seu curso natural’, descreve.

Ao comentar a morte da criança, Leandro Barbosa da Silva afirmou estar frustrado e resumiu o sentimento diante do caso: “O sentimento de dever não cumprido”.

Fonte: G1