A EPG Glorinha Pimentel, em Cumbica, recebeu na terça-feira (18) representantes da etnia Wassú para uma vivência cultural com estudantes do ensino fundamental. A atividade integrou um circuito indígena com palestra, diálogo sobre a cultura dos povos originários, brincadeiras tradicionais, dança e pintura.
A proposta aproximou os alunos de conhecimentos, saberes, expressões culturais e modos de vida indígenas, além de proporcionar aprendizagens relacionadas ao respeito e à diversidade.
Segundo a gestão da escola, iniciativas desse tipo ajudam a desconstruir paradigmas e estereótipos que muitas vezes apresentam uma visão limitada ou distorcida dos povos originários. O contato direto com representantes da etnia Wassú permitiu aos estudantes compreender que a cultura indígena é diversa, viva, dinâmica e presente na sociedade contemporânea, rompendo com a ideia de que os indígenas pertencem somente ao passado.
“Trazer esta temática para a escola é uma experiência encantadora e potente, pois permite que nossos estudantes ampliem seus conhecimentos, valorizem a diversidade cultural e reconheçam a importância dos povos originários na construção da história e da identidade brasileira”, explicou a coordenadora pedagógica, Ione Rodrigues.

O encontro também abordou a relação entre a história de Guarulhos e a presença indígena. A região foi habitada por povos originários, entre eles os Guarus e Maramomis, cuja presença integra a memória e a formação histórica do território.
O próprio nome Guarulhos possui relação com essa presença indígena, reforçando, conforme apresentado durante a atividade, a importância do conhecimento e da valorização das raízes dos povos que contribuíram para a constituição histórica da região.
Essa presença, no entanto, não está restrita ao passado. Na região do Cabuçu, em Guarulhos, está localizada a Aldeia Multiétnica Filhos Dessa Terra, onde os Wassú vivem juntamente com outras oito etnias. A existência da aldeia evidencia que os povos originários continuam presentes no território e fazem parte da realidade contemporânea do município.
A visita dos Wassú à EPG Glorinha Pimentel surgiu da aproximação dos educadores da unidade escolar com as vivências da aldeia localizada no Cabuçu. Em abril de 2025, gestores, professores e estagiários de apoio à inclusão da escola visitaram a reserva.
A experiência proporcionou contato com a sabedoria ancestral, as tradições e os modos de vida do povo Wassú e fortaleceu o compromisso da unidade com uma educação antirracista e plural.
“Agora, a aproximação dos estudantes com a história local e as comunidades indígenas possibilita a compreensão de que falar sobre os povos indígenas é também falar sobre o lugar onde vivemos, nossa história e nossa identidade enquanto comunidade”, explicou Ione.
O circuito indígena buscou fortalecer uma educação que valorize a diversidade, combata preconceitos e amplie a percepção dos estudantes sobre a riqueza dos povos originários, sua presença e sua contribuição para a sociedade atual.
A ação faz parte do Agosto Indígena 2026 e está alinhada à Lei nº 11.645/2008, que estabelece o ensino da história e da cultura indígena e afro-brasileira. A iniciativa também se relaciona aos princípios e objetivos previstos no Projeto Político-Pedagógico (PPP) da EPG Glorinha Pimentel.



