Lito Sousa é diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob; Brasil teve 547 casos confirmados entre 2005 e 2021

A esposa do influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Música, revelou nesta sexta-feira (21) que ele foi diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e sem cura.

Em vídeo, Mila contou que houve demora para o diagnóstico ser concluído. Nas últimas semanas, segundo ela, Lito perdeu parte da capacidade motora até receber a confirmação da doença.

A DCJ costuma começar com sintomas como demência, perda de memória e tremores. Com a progressão, outros sinais neurológicos podem surgir e afetar diferentes regiões do cérebro simultaneamente.

Existem quatro formas conhecidas da doença: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante, conhecida como vDCJ.

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Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 547 casos confirmados da enfermidade entre 2005 e 2021, período correspondente aos primeiros 17 anos desde a inclusão da DCJ na lista de notificações compulsórias.

A doença é provocada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon. Essa proteína se multiplica no cérebro e destrói neurônios, formando no tecido cerebral um padrão de buracos que dá origem ao termo “espongiforme”.

Até hoje, não existe tratamento capaz de reverter ou interromper a progressão da enfermidade.

No Brasil, a DCJ afeta principalmente pessoas mais velhas. A faixa entre 55 e 74 anos concentrou 60,2% das notificações, enquanto a idade média entre os casos suspeitos foi de 66 anos.

O perfil é diferente do caso de Lito, já que a forma esporádica costuma atingir pessoas entre 60 e 80 anos.

A literatura utilizada pelo Ministério da Saúde aponta que cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas. A sobrevida média é de cinco meses.

Entre as notificações analisadas pelo ministério, foram registrados 290 óbitos relacionados à doença. O próprio boletim, porém, aponta falhas no preenchimento e no acompanhamento dessas informações.

O estudo do Ministério da Saúde avaliou 1.576 notificações de casos suspeitos registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Desse total, 457 casos foram descartados e outros 572 permaneceram com classificação final ignorada. Entre os 547 casos confirmados, 359 foram classificados por critério laboratorial, 161 por critério clínico-epidemiológico e, em 27 registros, o critério não foi informado.

As maiores concentrações de casos foram registradas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. São Paulo liderou as confirmações, com 202 casos, seguido por Minas Gerais, com 57, e Paraná, com 44.

O levantamento também registrou 38 casos no Rio de Janeiro e 35 no Rio Grande do Sul.

O número de notificações cresceu ao longo da série histórica, principalmente a partir de 2012. Segundo o Ministério da Saúde, esse aumento pode estar relacionado à maior sensibilidade da vigilância epidemiológica, e não necessariamente a uma elevação real do número de casos.

O maior volume foi observado em 2019, com 174 registros, equivalentes a 11% do total. Em 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, houve redução nas notificações.

A DCJ esporádica não deve ser confundida com a variante da doença, a vDCJ, associada ao consumo de carne bovina contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como “mal da vaca louca”.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil nunca registrou casos de vDCJ desde 2005, nem mortes atribuídas à variante no país.

Como não existe tratamento capaz de reverter a Doença de Creutzfeldt-Jakob, os cuidados são concentrados no controle dos sintomas, no suporte ao paciente e no tratamento de complicações. Esse é o mesmo tratamento paliativo mencionado no caso de Lito.

O diagnóstico combina avaliação clínica e exames como ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia. Também pode ser realizado o RT-QuIC, feito a partir do líquido cefalorraquidiano e que apresenta alta especificidade para confirmar casos suspeitos.

Fonte: G1