Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, foi filmado e chamado de “ladrão” pelos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva pouco antes de ser espancado até a morte em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, os dois haviam recebido a informação de que um suposto ladrão de bicicleta estava na região.
As imagens mostram Rafael sentado na escadaria de um prédio quando Felipe e Ailton chegam ao local. Os dois pegam os celulares e começam a filmá-lo.
“Ladrão aí, ó. Tiver roubando aqui na Zona Sul, nós ‘vai’ dar uma coça, nós vai matar, mano”, diz um dos entregadores no vídeo.
Pouco depois, as agressões têm início. Um homem ainda não identificado aparece e chuta Rafael. Em seguida, Davi Santos Machado, um dos seguranças envolvidos no caso, chega ao local e passa a golpeá-lo com um pedaço de pau. Rafael também é atingido por socos e chutes.

De acordo com a polícia, o linchamento durou aproximadamente nove minutos. Rafael recebeu 63 pauladas.
Antes de ser perseguido e agredido, porém, Rafael havia passado por uma loja de conveniência em Copacabana, onde foi abordado pelo segurança Davi.
Na noite de 11 de agosto, Rafael saiu de casa, em Botafogo, para dar uma volta utilizando a bicicleta da irmã. Às 22h54, chegou à loja de conveniência e entrou para pedir um cigarro avulso, mas deixou o estabelecimento depois de ser informado de que precisaria pagar.
Às 23h21, imagens mostram Davi conversando com Rafael na entrada da loja. Segundo a investigação, o segurança perguntou a quem pertencia a bicicleta.
“Conversa que a gente teve foi só essa pergunta, só perguntando se a bicicleta era dele ou não. A gente perguntou isso umas três vezes, ele respondeu que não era”, contou um funcionário da loja, que preferiu não se identificar.
A bicicleta foi presa com um cadeado junto a galões de água. Davi fotografou o veículo e, posteriormente, afirmou ao funcionário que havia localizado o dono.
Ainda conforme a investigação, Davi chamou outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias. Câmeras registraram Jorge levando a bicicleta enquanto Rafael tentava impedir que ele deixasse o local com o veículo.
Depois, Davi aparece com um porrete, agride Rafael e passa a persegui-lo.
Perto da meia-noite, entregadores que costumavam permanecer em uma esquina aguardando pedidos foram avisados de que havia um suposto ladrão de bicicleta na região.
“Aí chamaram, falaram que tinha agarrado um ladrão ali, segurança tinha agarrado o ladrão ali, tá ligado?”, relatou um entregador ouvido pela reportagem.
Felipe e Ailton foram até o local onde Rafael havia sido visto. Segundo a investigação, Davi disse aos dois que o suposto ladrão tinha acabado de passar por ali.
Os entregadores então começaram a seguir Rafael. Ele entrou em uma rua e sentou-se na escadaria de um prédio. Foi nesse momento que Felipe e Ailton chegaram, passaram a filmá-lo e o chamaram de “ladrão”.
Após as agressões, Rafael permaneceu caído no chão por cerca de 30 minutos até a chegada do socorro.
“Ele estava agonizando no chão, tentando levantar até que o corpo de bombeiro chegou. Ele foi socorrido, mas infelizmente ele veio a falecer”, afirmou o delegado Ângelo Lages, da Polícia Civil, responsável pela investigação.
Quatro pessoas foram presas pela morte de Cláudio Rafael: os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.
Os dois seguranças e Felipe confessaram o crime. Ailton permaneceu em silêncio durante o depoimento prestado à polícia.
A Polícia Civil utiliza imagens de câmeras de segurança da região para esclarecer a dinâmica do crime. A investigação também busca identificar outras pessoas que tenham presenciado as agressões.
“Todas as pessoas que presenciaram essa cena, que estiveram ali, a gente vai identificá-las, a gente pretende ouvi-las, até porque elas podem responder pelo crime de omissão de socorro”, afirmou o delegado.
Fonte: FANTÁSTICO



