Pessoas com deficiência visual e auditiva participaram, nesta terça-feira (25), de um workshop gratuito de discotecagem promovido pela Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, em sua sede. A atividade foi conduzida pelos DJs Anderson Farias e Camilla Hamuri, ambos cegos e responsáveis por animar a Balada Inclusiva 2025, em Guarulhos.
Durante a oficina, os participantes puderam experimentar uma mesa de DJ, conhecida como mixer, conhecer aspectos do universo da discotecagem e acompanhar relatos sobre a trajetória profissional do casal.
Camilla Hamuri é cega em razão de ter nascido prematura e foi a primeira mulher com deficiência visual a frequentar um curso convencional de DJ, em 1997. Desde então, participou de diversos eventos, entre eles a Virada Cultural Inclusiva, em 2010, 2011 e 2012, a Virada Sustentável, em 2016, e a Balada Inclusiva, em 2019.
Camilla e Anderson também comandam a empresa CAF Eventos, que oferece serviços de discotecagem para festas e eventos corporativos.

Anderson Farias é considerado um dos pioneiros da discotecagem voltada a pessoas com deficiência visual no país. Ele perdeu a visão aos 7 anos e aprendeu mixagem de forma autodidata.
Em 2012, Anderson criou o primeiro curso de DJ para deficientes visuais no Brasil. Três anos depois, em 2015, desenvolveu uma ferramenta de acessibilidade para permitir que DJs cegos utilizassem softwares de discotecagem. Entre as apresentações realizadas ao longo da carreira estão a Feira Reatech e as Paralimpíadas de 2016.
Além da atuação como DJ, Anderson é ativista pela inclusão e palestrante. Também é um ícone da música eletrônica e inovou ao desenvolver ferramentas de discotecagem que auxiliam e inspiram uma nova geração de DJs cegos.
Entre os participantes do workshop estava Diego Salviano da Costa, de 33 anos, que tem deficiência auditiva e acompanhou a atividade com o auxílio de uma intérprete de Libras da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão.
Diego toca saxofone, está aprendendo violão e afirmou ter gostado muito da oficina. Segundo ele, a comunicação do surdo e da pessoa com deficiência visual é tátil. O participante tinha curiosidade em conhecer os equipamentos utilizados por DJs e não considerou muito difícil manuseá-los. Durante a experiência, colocou a mão sobre a caixa de som para sentir a vibração das músicas.
O produtor fonográfico Luiz Henrique Kichel, de 36 anos, que mora em Guarulhos há pouco mais de um ano, também participou da atividade. Ele trabalha com audiodescrição e se interessou pela oficina devido à relação com sua profissão.
Para Luiz, iniciativas que ampliem o conhecimento e abram novas possibilidades para pessoas com deficiência são muito importantes. Ele teve descolamento de retina causado pela incubadora da maternidade, condição que provocou baixa visão até os 15 anos. Atualmente, seus olhos conseguem enxergar apenas a claridade.
A Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão integra a Secretaria de Direitos Humanos.



