A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações. A empresa é apontada por investigadores como intermediária em repasses destinados à produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as investigações, Freixo Júnior também teria entre suas atribuições a busca de moeda para viabilizar pagamentos em dinheiro vivo.
A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, liquidado em março deste ano pelo Banco Central. Parte dos pagamentos determinados por Daniel Vorcaro teria sido realizada por meio da empresa.
A maior parcela dos repasses destinados à Entre, no total de R$ 139,2 milhões, foi feita pela Sefer Investimentos, instituição financeira que esteve entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada em janeiro deste ano.

O acordo de colaboração de Freixo Júnior foi assinado no mesmo dia da delação de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que também firmou acordo de colaboração com a PGR no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master.
As duas propostas foram encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Os acordos ainda precisam ser homologados pelo magistrado, que não tem prazo para decidir.
As investigações também alcançam os aportes destinados ao filme “Dark Horse”. Nesta semana, a imprensa revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão para a produção em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam atrasadas.
Esse pagamento se soma a outros seis repasses já conhecidos: dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão, realizados até maio de 2025. As operações haviam sido divulgadas em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil e, no total, correspondem a R$ 61 milhões.
Os recursos destinados ao filme eram enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. A estrutura administrava o dinheiro e realizava os repasses para a Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”.
Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A informação sobre o novo pagamento consta de um dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF) no caso. A movimentação foi identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Antes da descoberta, Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último repasse feito por Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. A informação passou a ser contrariada pelos dados identificados pela PF.
“Olha só. O último pagamento que ele fez […] foi em maio de 2025”, disse o senador em entrevista à GloboNews quando o caso foi revelado.
De acordo com as apurações, os repasses de Vorcaro para a produção cinematográfica passaram pela Entre Investimentos e Participações, pertencente a um aliado do ex-banqueiro. A empresa transferia os recursos ao Havengate, nos Estados Unidos, fundo controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Na sequência, o dinheiro seria enviado à produtora Go Up.
Em maio deste ano, quando a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro se tornou pública, o The Intercept Brasil divulgou um áudio no qual o senador cobrava o dinheiro do ex-banqueiro.
Fonte: G1



